Arco Norte consolida protagonismo no escoamento da safra, aponta Conab
Anuário Agrologístico 2026 mostra avanço dos portos do Norte e Nordeste nas exportações de soja e milho, mas alerta para desafios em infraestrutura, armazenagem e transporte no país.

O Arco Norte se consolidou como uma das principais rotas de exportação do agronegócio brasileiro. Segundo o Anuário Agrologístico 2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os portos localizados acima do paralelo 16° Sul responderam por 39,5% das exportações nacionais de soja e milho em 2025.
No caso da soja, 36,2% dos embarques passaram pelos portos do Arco Norte. Já para o milho, a participação foi ainda maior, alcançando 48% das exportações nacionais. O estudo destaca que o crescimento está diretamente ligado aos investimentos em corredores logísticos integrados, combinando rodovias, ferrovias e hidrovias para reduzir distâncias e custos de transporte.
Entre os principais destaques aparece o Porto de Itaqui, no Maranhão, que ampliou significativamente sua movimentação de grãos nos últimos anos. O terminal passou de 11,55 milhões de toneladas embarcadas em 2021 para 20,14 milhões em 2025. Os portos de Barcarena (PA), Santarém (PA) e Itacoatiara (AM) também ganharam relevância estratégica no escoamento da produção do Centro-Oeste.
A mudança logística acompanha o avanço da produção agrícola em estados como Mato Grosso e na região do Matopiba— confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Apesar disso, o Porto de Santos manteve-se como principal corredor de exportação, movimentando 34,57 milhões de toneladas de soja no ano passado e 14,68 milhões de toneladas de milho.
Crescimento das exportações
O Anuário mostra que a soja brasileira atingiu 108,18 milhões de toneladas exportadas em 2025, crescimento de 9,48% em relação ao ano anterior. O Mato Grosso manteve a liderança nacional, com 32,06 milhões de toneladas exportadas. A China segue como principal destino do produto brasileiro, absorvendo cerca de 78,9% das exportações de soja.
No milho, o Brasil exportou 40,98 milhões de toneladas em 2025, enquanto a produção nacional alcançou 141,1 milhões de toneladas. O Mato Grosso respondeu sozinho por aproximadamente 56% das exportações do cereal.
Desafios estruturais e climáticos
Apesar do avanço operacional, a Conab alerta para desafios estruturais importantes. Eventos climáticos extremos, especialmente as secas na Amazônia, têm afetado a navegabilidade de hidrovias fundamentais para o Arco Norte, como Madeira, Tapajós-Teles Pires e Solimões-Amazonas, impactando a eficiência do transporte fluvial em períodos críticos.
Outro gargalo apontado pelo levantamento é a armazenagem. A projeção da Conab indica que o Brasil terá déficit nominal de 15,9 milhões de toneladas na capacidade estática de armazenamento em 2026. A estimativa é de uma produção de 218,2 milhões de toneladas para a primeira safra de grãos, enquanto a capacidade disponível deve chegar a 202,3 milhões.
A dependência do transporte rodoviário também continua elevada. Cerca de 95% das unidades armazenadoras utilizam caminhões como principal modal logístico, aumentando custos operacionais e pressionando a infraestrutura rodoviária durante os períodos de safra.
Diante desse cenário, a Conab defende novos investimentos em ferrovias como a FICO, FIOL e Transnordestina, além da ampliação da infraestrutura portuária e hidroviária. O órgão também recomenda políticas de incentivo à construção e modernização de armazéns, especialmente nas regiões de expansão agrícola.


