Ataques ucranianos a navios elevam preço do trigo

Ucrânia confirma ataques à navios graneleiros e petroleiros da Rússia, clima tenso na região reflete no preço do trigo

Juliana Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

O trigo opera em forte alta após ataques de drones ucranianos a navios graneleiros e petroleiros no Mar de Azov, rota de escoamento das exportações dos grãos produzidos na Rússia, principalmente trigo.

Na manhã desta quarta-feira (15) o contrato de setembro abriu em alta forte de 3,5%.

O Mar de Azov e o Mar Negro são principais canais de escoamento do cereal.  Mesmo não liderando a produção global a Rússia é a maior exportadora mundial de trigo. O país aparece em quarto lugar atrás da China, União Europeia e Índia. Mas vende ao mundo, pelo menos, metade do que produz.

A colheita da nova safra começou em junho e a estimativa é produzir, no ciclo 2026/27, mais de 90 milhões de toneladas. Cerca de 50% desse volume, 45 milhões de toneladas, devem seguir para exportação.

Com a intensificação dos ataques, nos portos e nas rotas de escoamento, o trigo acumula alta de mais 10% em uma semana.

Perdas de todos os lados  

A Ucrânia já respondeu por cerca de 6% das exportações mundiais de trigo. Ano passado exportou 9,5 milhões de toneladas, queda de 26%. 

Como as vendas externas são a principal fonte de recursos, de entrada de moeda estrangeira na Ucrania, a Rússia passou a atacar sistematicamente a infraestrutura portuária, os terminais e toda a cadeia logística de produção agrícola. A União dos Agricultores da Ucrânia, diz que o país perdeu cerca de um terço da capacidade de exportar grãos.

Apetite Chinês e clima nos EUA impulsionam preço da soja

Os contratos futuros da soja operam em alta nesta quarta-feira (15) revertendo o movimento do dia anterior. O contrato de novembro em Chicago opera com ganho de 0,5% esta manhã, cotado a US$ 11,97 por bushel.

O mercado segue monitorando as condições climáticas nos Estados Unidos, com tempo quente e seco no cinturão agrícola do país. A previsão é que as temperaturas continuem elevadas e possa atingir picos de até 38°C.

Segundo relatório semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA 65% da safra de soja apresentam condições de boa a excelente.

Soja segue acima de R$ 140,00 no Porto Paranguá com vendas ativas para a China

No Porto de Paranaguá (PR) a saca de 60 quilos apresentou um leve recuo de 0,16% nesta terça-feira (14), mas segue acima dos R$ 140 com alta acumulada de 5,28% no mês

Além do fim da colheita o apetite chinês dá sustentação ao mercado da oleaginosa. A China comprou em junho o maior volume mensal de soja. Foram 13,55 milhões de toneladas, alta de 10,5% em relação a junho de 2025 e de 14,9% na comparação com maio. Na avaliação da Guoyuan Futures, corretora de mercado futuros e commodities com sede na China, o aumento nas compras foi impulsionado pela grande produção brasileira, por embarques combinados e com o desembaraço de cargas atrasadas nos portos.