Aumento dos estoques de milho nos EUA traz dúvidas sobre dados para ração
Analistas questionam númros do USDA sobre consumo de milho no campo; queda no rebanho bovino para o menor nível em 75 anos contraria projeção de alta na demanda por ração

O Departamento de Agricultura dos EUA deve reduzir, nesta sexta-feira (09), a estimativa sobre a quantidade de milho do ano passado que foi destinada à alimentação de animais, após ter relatado, na semana anterior, um aumento maior do que o previsto nos estoques de grãos, segundo analistas.
Agricultores e processadores de grãos tinham mais de 2 bilhões de bushels armazenados no início do mês passado, um aumento de 35% em relação ao ano anterior e 9% acima das estimativas dos analistas, de acordo com dados trimestrais divulgados pelo USDA em 30 de setembro.
Analistas e economistas afirmaram que os dados os levaram a acreditar que o USDA havia superestimado anteriormente a quantidade de milho utilizada como ração, um indicador chave da demanda.
O relatório reacendeu dúvidas sobre a confiabilidade das estimativas de safra do USDA após uma série de erros nos dados por parte da agência, há muito considerada a referência máxima em informações sobre o mercado agrícola global, disseram eles.
"Na minha opinião, eles finalmente admitiram a verdade", disse Jim McCormick, cofundador da corretora AgMarket.Net.
"Venho argumentando há seis meses que os números relativos à ração e aos resíduos estavam muito altos. Eles finalmente esclareceram a questão."
O USDA não possui uma medida direta do uso para ração
Em vez disso, estima a quantidade de milho fornecida aos animais em uma categoria que também inclui usos residuais, como grãos desperdiçados, após contabilizar os estoques exportados e transformados em etanol.
Analistas questionaram a estimativa do USDA de um aumento de 17% no uso para ração antes da colheita de outono, em comparação com o ano anterior.
O rebanho bovino do país estava no nível mais baixo em 75 anos, deixando menos animais para alimentar, e analistas afirmaram que a criação de animais mais pesados não impulsionaria a demanda tanto quanto o USDA estava projetando.
"No verão, passei tempo demais me aprofundando nesse labirinto para tentar entender o que eles estavam fazendo", disse Mike Castle, economista sênior de commodities da consultoria StoneX. "Não havia realmente uma boa explicação."
Em julho, o USDA elevou sua estimativa da quantidade de milho que seria utilizada na alimentação do gado, após uma safra recorde em 2025.
Desde então, o órgão tem estimado, em relatórios mensais, que 6,35 bilhões de bushels de milho seriam utilizados para ração e fins residuais na safra 2025/26, encerrada em 31 de agosto.
Esse valor representou um aumento em relação aos 5,49 bilhões de bushels em 2022/23; 5,83 bilhões em 2023/24; e 5,44 bilhões em 2024/25.
"Isso sempre pareceu um valor atípico simplesmente absurdo", disse Castle.
Usar menos milho para ração pode aumentar os estoques de grãos.
Em um relatório mensal a ser divulgado nesta sexta-feira, espera-se que o USDA eleve sua estimativa da quantidade de milho que estará armazenada em setembro próximo em 7% em relação ao mês passado, para 1,67 bilhão de bushels, de acordo com uma pesquisa da Reuters com analistas.
O USDA informou que atualiza as estimativas para uso na ração e residual quando os estoques e outras informações ficam disponíveis e que realizou pesquisas extensas com agricultores e instalações comerciais de armazenamento de grãos para coletar dados trimestrais sobre estoques.
"Uma previsão que precisa ser atualizada não indica, por si só, um problema incomum com a previsão ou a coleta de dados", afirmou a agência.


