Avicultura do Paraná sofre com alta de até 20% nos custos com guerra
A entidade avalia que o repasse desse aumento é inevitável para compensar perdas acumuladas e garantir a sustentabilidade da atividade

O avanço das tensões no Oriente Médio elevou o nível de alerta na avicultura do Paraná, principal polo produtor e exportador de carne de frango do Brasil. A escalada dos custos de produção, combinada à instabilidade global, já impacta diretamente a rentabilidade das agroindústrias e deve levar a reajustes de preços ao longo da cadeia, segundo avaliação do Sindicato das Indústrias Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).
A entidade avalia que os custos do setor subiram entre 15% e 20% nos últimos ciclos. A entidade avalia que o repasse desse aumento é inevitável para compensar perdas acumuladas e garantir a sustentabilidade da atividade.
O Paraná concentra cerca de 34% da produção nacional de frango e responde por até 41% das exportações brasileiras. A cadeia avícola estadual movimenta aproximadamente R$ 45 bilhões por ano e gera mais de 100 mil empregos diretos, além de até 1,5 milhão de postos indiretos.
“O ecossistema agroindustrial do Paraná é um dos maiores do mundo e posiciona o estado como peça-chave na segurança alimentar global”, afirma o presidente do Sindiavipar, Roberto Kaefer.
A pressão de custos é puxada principalmente pela alta dos insumos. Milho e farelo de soja, que representam até 70% do custo da ração, seguem como os principais vetores de aumento. Energia elétrica com reajustes acima da inflação, elevação do diesel, gargalos logísticos e encarecimento de embalagens ligadas ao petróleo também pesam sobre a indústria.
De acordo com o coordenador da Câmara de Mercados do Sindiavipar, Jair Meyer, o cenário internacional amplia a incerteza. “Os conflitos geopolíticos impactam fretes, energia e previsibilidade dos mercados”, diz.
Para o setor, o momento marca uma mudança de lógica. Tradicionalmente baseada em ganho de escala, a avicultura passa a depender mais do equilíbrio entre oferta e demanda, em um contexto de consumo volátil e mercados externos ainda em recomposição.
“O risco de sobreoferta é real e pode pressionar preços e margens”, afirma Kaefer.
Nesse novo cenário, a estratégia deixa de ser apenas produzir mais. “O desafio agora é produzir com precisão”, diz o executivo. Segundo ele, decisões desalinhadas com a demanda podem afetar toda a cadeia produtiva.
O Sindiavipar afirma que o setor seguirá comprometido com o abastecimento interno e com o papel do Brasil no mercado global de alimentos. Mas, diante da pressão de custos, reforça que os reajustes de preços devem ser parte do processo de reequilíbrio da atividade.


