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Baldan deve crescer 12%, mesmo com juro alto em 2026

Fabricante aposta em expansão produtiva, nova fábrica e portfólio robusto enquanto crédito caro ainda freia grandes compras no campo

Cristiane Noberto, da CNN Brasil, Cascavel
Projeção de crescimento em 2025  • Baldan
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A fabricante de implementos agrícolas Baldan projeta crescer cerca de 12% em 2026, apoiada na ampliação do portfólio e em investimentos. Em entrevista ao CNN Agro durante a Show Rural Coopavel, em Cascavel, o CEO da companhia, Fernando Capra, afirmou que a expectativa para o ano é moderadamente positiva, mas com trajetória crescente mesmo cercada por incertezas macroeconômicas.

“A nossa projeção de crescimento, de aumento do nosso número, não está longe do que nós imaginávamos, mas fica na casa de 12%. É o que a gente vem se posicionando para isso”, disse Capra à reportagem.

A meta vem na esteira de um ciclo recente de expansão da empresa. A Baldan anunciou um investimento de R$ 500 milhões nos próximos anos, com foco na ampliação da capacidade produtiva e na construção de uma nova fábrica até 2030.

Nos últimos anos, a companhia também modernizou sua operação e destinou R$ 200 milhões, em 2022, para a produção de pulverizadores de grande porte, movimento que ampliou o portfólio além dos equipamentos tradicionais de preparo de solo.

Segundo o executivo, o pipeline segue robusto mesmo diante de um ambiente mais cauteloso.

“Nós temos um pipeline já definido para os próximos cinco anos de lançamentos a fazer no mercado. Ano passado nós fizemos 12 lançamentos. Esse ano a gente deve fazer de 10 a 11. Se você me pergunta quanto é que vocês gostariam de fazer, seria o dobro disso. Como eu disse, o pipeline nosso prevê mais de 70 produtos nesse período”, destacou.

Um dos vetores de investimento é a vertical de pulverização, reforçada por uma nova fábrica dedicada à montagem de equipamentos autopropelidos, que começou a operar no ano passado.

“Estamos inaugurando uma segunda fábrica dedicada à montagem desses equipamentos. Naturalmente, o foco dos investimentos vem aí”, afirmou. “A gente vem aumentando a oferta de produtos nesse segmento, aumentando a litragem, ou seja, máquinas maiores e algumas dedicadas a segmentos específicos”, continuou.

Conjuntura e comportamento do produtor

Para o CEO, o ambiente da feira indica uma melhora em relação ao ano anterior, mas ainda exige cautela. “A expectativa é sempre boa, a gente vem sempre com otimismo. Esse ano o ambiente, em geral, está melhor do que o ano passado. Então, a nossa expectativa é que a gente tenha uma performance melhor na feira do que foi no ano anterior”, pontuou.

Ele pondera, porém, que fatores internos e externos ainda pesam sobre as decisões de investimento.

“Todas essas incertezas que tem na economia mundial, não só do Brasil, mas do mundo também, essas conjunturas se ajustando, se movendo, não deixam de ser uma incógnita”, destacou.

Crédito caro adia grandes compras

Na avaliação do executivo, o produtor segue interessado em tecnologia, mas tende a calibrar o timing dos grandes investimentos. De acordo com ele, as grandes aquisições devem acontecer com a clareza de que a Selic “vai cair”,

Mesmo assim, o custo do dinheiro permanece como principal trava. “O custo capital realmente é o grande problema. Operar com taxa de juros de dois dígitos acaba postergando investimentos”, disse Capra.

Para mitigar esse cenário, a companhia passou a estruturar alternativas financeiras próprias. “A empresa adotou o Barter para equipamentos agrícolas, que foi uma iniciativa pioneira também. A gente reforça cada vez mais as nossas operações de consórcio. Todo esse tipo de mecanismo para conseguir lidar com essa situação que é o custo capital”, destacou.

Segundo ele, essas ferramentas são decisivas para o produtor manter a rentabilidade. “Ele [produtor] está com uma produção grande, uma safra grande, e se ele não tiver os equipamentos adequados ou em dia, ele perde a rentabilidade daquela safra.”

Mercado externo e acordo Mercosul–UE

O executivo classificou como positiva a perspectiva de acordos comerciais, apesar dos desafios competitivos.

Na relação com a Europa, a avaliação é de que a abertura precisa vir acompanhada de condições equivalentes. “O que é sempre importante é que as condições de operar sejam iguais. Seja ela europeia, chinesa, americana, ou o que for, é importante que operem todos na mesma regra, no mesmo patamar”, frisou.

Para ele, a principal agenda para garantir competitividade da indústria brasileira segue ligada ao financiamento, especialmente de custo de capital.

Por mais eficientes que as nossas indústrias sejam, a gente ainda encontra dificuldades principalmente nessa questão do custo do financiamento das operações”, disse.