Boa Safra atribui prejuízo à ambiente econômico restritivo no Brasil
Depois da divulgação dos dados do 4º trimestre de 2025, as ações da companhia caíram 10%

Depois de amargar um prejuízo de R$ 8,4 milhões no quarto trimestre de 2025 e ver o lucro recuar 37% no ano passado, as ações da Boa Safra caíram mais de 10% desta quarta-feira até às 18h11 nesta quinta-feira, cotadas a R$ 6,80.
Os resultados financeiros, segundo a companhia, são reflexos de um momento econômico mais restritivo no Brasil e "um cenário mais desafiador para o agronegócio". Por outro lado, o enxugamento na operação e os ganhos de escala com o desempenho das vendas de sementes de soja ajudaram a manter uma receita líquida positiva, em R$ 2,6 bilhões no acumulado do ano, alta de 42% na comparação anual.
O volume comercializado de sementes de soja, medido em big bags, alcançou 215 mil unidades — crescimento de 34% em relação ao ano anterior. Com isso, a Boa Safra atingiu cerca de 10% de participação no mercado brasileiro de sementes de soja, consolidando sua posição entre as principais sementeiras do país.
Segundo a companhia, o resultado foi sustentado pela proximidade com produtores e pela regularidade no atendimento ao longo do ciclo produtivo.
Apesar do bom desempenho, o ano foi marcado por um ambiente mais restritivo no campo. A queda nos preços das commodities agrícolas, a limitação de crédito e a maior cautela dos produtores exigiram ajustes operacionais e maior disciplina comercial. Em algumas regiões, problemas de qualidade também impactaram parte da produção.
“Esse contexto demandou ainda mais rigor na gestão, na busca por eficiência e otimização do portfólio para termos o menor custo de servir versus a percepção de valor pelo cliente", explicou, em nota, Felipe Marques, CFO da Boa Safra.
Diante desse cenário, a empresa intensificou medidas de eficiência e otimização do portfólio, buscando equilibrar custos e percepção de valor para o cliente. A estratégia incluiu ainda a diversificação das receitas, com maior participação de culturas como milho, trigo, sorgo e feijão, que passaram a responder por 13% do faturamento de sementes e novos negócios.
Para 2026, a expectativa é de continuidade de um ambiente mais seletivo no agronegócio, com crédito ainda restrito e maior exigência técnica por parte dos produtores. A companhia inicia o ano com capacidade produtiva de 280 mil big bags de sementes de soja.
Além disso, 2026 também vai marcar cinco anos desde o IPO da empresa na B3, marco que leva a companhia a mirar um crescimento "equilibrado", de olho em uma demanda mais cautelosa por parte do produtor, ao mesmo tempo que a empresa pretende segurar resultados estáveis.


