Brasil flexibiliza inspeção de soja após dificuldades de exportadoras

Amostras que antes eram coletadas por fiscais agora serão responsabilidade das empresas supervisoras contratadas por tradings

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
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O Ministério da Agricultura decidiu modificar os procedimentos de fiscalização aplicados às cargas de soja destinadas à exportação para a China, após solicitações de empresas tradings do setor. As mudanças foram oficializadas na noite de sexta-feira (13) pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional.

Pelas novas regras, as amostras de soja que serão submetidas à inspeção passarão a ser coletadas pelas empresas supervisoras de embarques contratadas pelas próprias tradings. Anteriormente, essa coleta era realizada por fiscais agropecuários do ministério.

Mesmo com a alteração, parte das cargas continuará sendo verificada diretamente pelo órgão público. Segundo o documento divulgado pelo ministério, 10% dos embarques terão amostras coletadas por fiscais da Pasta. 

As novas normas passam a valer imediatamente para todos os carregamentos em que a coleta de amostras ainda não tenha sido realizada.

Pressão das tradings

A mudança ocorreu após exportadoras relatarem dificuldades operacionais causadas pelas novas normas de inspeção.

Na última semana, o Ministério da Agricultura informou que inspeções recentes identificaram espécies de plantas daninhas classificadas pela China como quarentenárias, ou seja, organismos que não existem naquele país.

Quando isso acontece, as cargas deixam de atender aos requisitos fitossanitários exigidos para exportação, o que impede a emissão do certificado necessário para o envio do produto. Por esse motivo, e a pedido de Pequim, foram adotados controles fitossanitários mais rigorosos.

No entanto, a medida passou a afetar embarques de soja brasileira destinados à China, gerando preocupação sobre uma possível redução no fornecimento ao maior importador mundial da commodity.

Diante desse cenário, a Cargill suspendeu temporariamente as exportações de soja do Brasil para a China e interrompeu as compras do grão destinadas a esse mercado. Outras empresas do setor como a Cofco International e CHS Agronegócio também relataram dificuldades para realizar embarques ao mercado chinês.