Cacau fecha em queda na Bolsa de Nova York após dados de moagem na Europa

Moagem na Europa cai ao menor nível em seis anos, enquanto alta na Ásia não evita queda das cotações

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Os vencimentos futuros do cacau atingiram as mínimas de uma semana na Bolsa de Nova York na sessão desta quinta-feira (16). O contrato para entrega em setembro registrou queda de 8,86% e fechou precificado em US$ 5,362 por tonelada.

De acordo com o Barchart, sinais de uma demanda mais fraca estão pressionando os preços do cacau nesta sessão depois que a ECA (Associação Europeia do Cacau) divulgou que a moagem na Europa recuou 4,6% no segundo trimestre deste ano.

Segundo a associação, a moagem de cacau na Ásia totalizou 316.366 toneladas no segundo trimestre, queda de 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior e o menor volume registrado para um segundo trimestre em seis anos. Apesar da retração da moagem, os preços do cacau mantiveram as fortes perdas na quinta-feira.

O mercado, no entanto, encontrou algum suporte após a divulgação dos dados da CAA (Associação do Cacau da Ásia), que apontaram aumento de 25% na moagem da região, para 224.646 toneladas, desempenho muito acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 9%.

Café

O contrato do café arábica com vencimento em setembro recuou 4,33% nesta quinta-feira e encerrou o pregão cotado a US$ 3,12 por libra-peso.

A commodity foi pressionada pelo avanço das exportações brasileiras. Dados divulgados pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) mostram que os embarques de café verde do Brasil somaram 2,64 milhões de sacas em junho, alta de 14,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, reforçando a oferta no mercado internacional.

Além disso, o mercado segue marcado por forte volatilidade desde que as cotações atingiram os maiores níveis em cinco meses e meio na semana passada. A baixa liquidez tem ampliado os movimentos dos preços, cenário intensificado após a ICE (Intercontinental Exchange) elevar, por duas vezes, as exigências de margem para negociação de contratos futuros de café. A medida reduziu a participação de investidores, levou fundos a encerrarem posições e aumentou a intensidade das oscilações nas cotações.

Açúcar

O contrato futuro do açúcar com vencimento em outubro encerrou o pregão cotado a 14,44 centavos de dólar por libra-peso, com desvalorização de 2,76%.

As cotações ampliaram as perdas registradas ao longo da semana e atingiram o menor nível em cerca de duas semanas e meia. De acordo com a Barchart, o movimento foi influenciado pela melhora das chuvas de monção na Índia, fator que reduz as preocupações com a produção de cana-de-açúcar no país.

Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, o déficit acumulado de chuvas da monção caiu para 23% abaixo da média até 15 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% abaixo do normal registrados em 30 de junho. O avanço das precipitações reforçou as expectativas de uma safra maior e pressionou os preços internacionais do açúcar.

Algodão

No mercado do algodão, o contrato futuro com vencimento em dezembro encerrou o pregão cotado a 79,30 centavos de dólar por libra-peso, com desvalorização de 2,76%.

As cotações foram pressionadas por dados fracos das exportações norte-americanas. Segundo o relatório semanal de vendas externas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), foram comercializados 34.360 mil fardos da safra 2025/26 até a semana encerrada em 9 de julho, o menor volume do atual ano comercial. As vendas da nova safra somaram apenas 4.075 mil fardos, o menor patamar desde setembro.

Os embarques também perderam força e totalizaram 214.893 mil fardos, queda de 10,8% em relação à mesma semana do ano anterior. Apesar da desaceleração recente, o Vietnã segue como o principal destino do algodão dos Estados Unidos no acumulado da temporada, com compras superiores a 4,2 milhões de fardos.

Suco de Laranja

Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro do suco de laranja para setembro terminou a sessão cotado a US$ 1,33 por libra-peso, após recuar 3,64%.