Cacau recua em Nova York e acumula queda semanal superior a 9%
Expectativa de oferta abundante e demanda moderada pressionam cotações commodity na bolsa de Nova York

Os preços do cacau encerraram a sessão desta quinta-feira (5) em queda na Bolsa de Nova York. O contrato com entrega para maio recuou 0,16%, cotado a US$ 3.055 por tonelada.
No mercado internacional, os preços passaram a girar em torno de US$ 3.000 por tonelada, próximo do patamar mais baixo desde maio de 2023, em meio às expectativas de oferta mais abundante e demanda moderada.
Entre 20 e 27 de fevereiro, os contratos futuros da commodities acumularam uma nova queda semanal expressiva, segundo as informações da StoneX.
"Em Nova York, o vencimento para maio de 2026 caiu 9,1%, encerrando a semana cotado a US$ 2.888 por tonelada na última sexta-feira", informou Analista em Inteligência de Mercado da StoneX, Lucca Bezzon.
No lado da oferta, a safra africana atravessa o período de entressafra, fase caracterizada pela redução das entregas semanais aos portos da região. A expectativa é de retomada dos embarques a partir de abril, com o início da safra intermediária.
Na Costa do Marfim, maior produtor mundial, a produção é estimada entre 350 mil e 400 mil toneladas, indicando recuperação em relação ao ciclo anterior. O cenário reforça a perspectiva de pressão baixista sobre os preços, diante das condições climáticas favoráveis e de relatos de produtores indicando potencial para uma boa colheita.
O analista destaca que as condições climáticas positivas também melhoraram as perspectivas de produção em outros países da África Ocidental, enquanto a produção da América do Sul, especialmente do Equador, também contribui para ampliar a oferta global.
A Organização Internacional do Cacau (ICCO) também revisou sua estimativa de superávit global para a safra 2024/25, elevando o número de 49 mil para 75 mil toneladas.
Pelo lado da demanda, persistem sinais de desaceleração no consumo. As moagens globais de cacau recuaram 7,7% no quarto trimestre de 2025, refletindo um enfraquecimento do processamento.
O mercado aguarda agora os dados do primeiro trimestre de 2026, previstos para meados de abril, para avaliar se a recente queda dos preços poderá estimular uma retomada da atividade.
Ao mesmo tempo, a desaceleração do consumo levou ao acúmulo de estoques em grandes produtores, como Costa do Marfim e Gana. Diante da queda das cotações internacionais, ambos os países reduziram recentemente os preços pagos aos agricultores.
Apesar da tendência de baixa observada nas últimas semanas, os preços chegaram a apresentar uma recuperação pontual no início da semana, influenciados pela valorização geral das commodities após o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que trouxe maior volatilidade aos mercados.
Café
Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro do café arábica com entrega em maio registrou alta de 0,89% na sessão desta quinta-feira (05), cotado a US$ 2,888 por libra-peso.
Os contratos futuros do arábica foram negociados ligeiramente acima de US$ 2,8000 por libra, permanecendo próximos do nível mais baixo desde julho de 2025, diante de perspectivas de oferta influenciadas pela expectativa de forte produção brasileira nas próximas safras.
O Tranding View, as condições climáticas recentes têm favorecido a safra brasileira de 2026/27, com volumes significativos de chuva beneficiando as principais áreas produtoras de arábica.
A pressão sobre as cotações também é ampliada pelo aumento dos estoques certificados de café arábica da ICE, que subiram pela terceira sessão consecutiva e atingiram 528.028 sacas em 4 de março.
Açúcar
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do açúcar com entrega em maio encerraram a sessão cotados a US$ 13,72 centavos por libra-peso, com queda de 0,07%.
De acordo com as informações do Tranding View, os preços do açúcar atingiram o menor nível em duas semanas, à medida que as expectativas de ampla oferta global superaram os impactos geopolíticos ligados às tensões no Oriente Médio, incluindo a alta dos preços do petróleo e dos custos de transporte.
A pressão sobre as cotações ocorre em meio às perspectivas de excedentes globais nas próximas safras, cenário liderado principalmente pela Índia, um dos maiores produtores mundiais.
A ISMA (Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia) informou que a produção do país entre 1º de outubro e 28 de fevereiro da safra 2025/26 alcançou 24,75 milhões de toneladas, avanço de 12% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
No mercado internacional, analistas também projetam superávit para os próximos anos. A consultoria Czarnikow estima um excedente global de açúcar de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um superávit ainda maior de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
A Green Pool projeta excedentes de 156 mil toneladas em 2026/27 e 2,74 milhões de toneladas em 2025/26, enquanto a StoneX estima um superávit global de 2,9 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Algodão
Os contratos futuros do algodão encerraram a sessão com leve queda na Bolsa de Nova York. O vencimento para maio recuou 0,19%, cotado a US$ 64,04 por libra-peso.
Dados de vendas semanais para exportação divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostraram que 150 mil fardos de algodão da safra antiga foram comercializados na semana encerrada em 26 de fevereiro, volume 40,62% menor em relação à semana anterior e 9,9% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
O USDA também trouxe dados para a nova safra, foram negociados 54 mil fardos.
Já os embarques para exportação somaram 282 mil fardos, avanço de 46,19% em comparação com a semana anterior e de 5,46% frente ao mesmo intervalo de 2025.
Suco de laranja
O contrato futuro para entrega maio do suco de laranja fechou o dia na bolsa de Nova York cotado a US$ 1.896,00 por tonelada, com desvalorização de 2,27%.


