Café arábica recua em Nova York com perspectiva da safra brasileira

Contratos futuros caem mais de 3%, aproximando-se do menor patamar em duas semanas impulsionados por oferta

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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Os preços futuros do café arábica finalizaram a sessão desta segunda-feira (30) com forte queda na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento para maio recuou 3,03%, cotado a US$ 2,925 por libra-peso, se aproximando do menor nível em mais de duas semanas.

De acordo com o Tranding View, os contratos já vinham pressionados, negociados próximos de US$ 2,9 por libra, refletindo as expectativas de aumento da oferta global, especialmente por parte do Brasil, maior produtor mundial.

A proximidade do início da colheita nas próximas semanas deve ampliar gradualmente a disponibilidade do produto no mercado físico, reforçando a pressão sazonal sobre os preços.

Do lado das estimativas, o Grupo Marex projetou uma safra recorde no Brasil em 2026/27 de 75,9 milhões de sacas, acima das 75,4 milhões estimadas pela Sucafina na semana anterior e representando crescimento de 15,5% na comparação anual.

No mesmo sentido, a StoneX elevou sua projeção para 75,3 milhões de sacas, ante 70,7 milhões estimadas em novembro.

Os estoques certificados de café arábica também apresentaram recente alta, embora ainda permaneçam abaixo dos níveis históricos, o que oferece algum alívio pontual ao mercado.

Ainda assim, o cenário segue sensível às tensões no Oriente Médio, que sustentam a alta do petróleo e elevam os custos de transporte e operacionais.

Açúcar

Na Bolsa de Nova York, o contrato do açúcar com vencimento em maio recuou 1,33%, sendo negociado a US$ 15,55 por libra-peso.

Após iniciar o dia em alta, os preços perderam força com a valorização do dólar, que atingiu o maior nível em dez meses, estimulando a liquidação de posições compradas nos contratos futuros.

O mercado também segue pressionado pelo aumento da produção brasileira. Segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26 (de outubro a meados de março) avançou 0,7% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, somando 40,25 milhões de toneladas.

Cacau

Os contratos futuros do cacau encerraram a sessão com leve desvalorização de 0,32% na bolsa de Nova York, com o vencimento para maio cotado a US$ 3.155 por tonelada.

As cotações seguem próximas de US$ 3.100 por tonelada, patamar próximo das mínimas desde maio de 2023, pressionadas pelas expectativas de safra robusta na África Ocidental.

Na Costa do Marfim, principal produtor global, as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento da safra intermediária, que ocorre entre março e agosto. O Barchart destacou que as chuvas acima da média histórica foram registradas em importantes regiões produtoras, aumentando a perspectiva de uma colheita mais longa e produtiva.

A maior oferta também se reflete nos estoques, com os volumes monitorados pela ICE atingindo o maior nível em oito meses, somando 2.357.294 sacas em 27 de março.

Do lado da demanda, o mercado ainda demonstra preocupação, com agentes aguardando os dados de moagem do primeiro trimestre na Europa e na América do Norte, previstos para divulgação em 16 de abril.

Algodão

Os preços futuros do algodão encerraram a sessão em alta na Bolsa de Nova York, em que o contrato para maio avançou 1,05%, cotado a US$ 70,19 por libra-peso.

Segundo a Barchart, os contratos subiram ao longo do dia. O movimento ocorreu em meio à valorização do dólar e à alta do petróleo bruto, que subiu US$ 3,86, para US$ 103,50 ao meio-dia.

No mercado financeiro, os fundos especulativos reduziram sua posição líquida vendida em 6.757 contratos, totalizando 33.448 contratos.

Já as expectativas para a área plantada indicam leve retração nos Estados Unidos. Pesquisa da Reuters aponta que o plantio de algodão deve alcançar 9,229 milhões de acres em março, abaixo do registrado no ano anterior.

Suco de laranja

O suco de laranja também registrou valorização na sessão. O contrato com vencimento em maio fechou cotado a US$ 1.801,00 por tonelada, com alta de 2,01%.