Chuva destrói pesquisa sobre genética de tomates do IAC

Experimento em Ribeirão Preto estava na fase final e avaliava 300 acessos para desenvolvimento de variedades mais resistentes a doenças

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
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Uma pesquisa sobre genética de tomates conduzida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em Ribeirão Preto (SP), foi destruída pela forte chuva acompanhada de ventos e granizo que atingiu a região na última sexta-feira (24). O experimento, realizado em parceria com uma empresa japonesa de sementes, estava a menos de um mês da conclusão da etapa de campo.

Segundo o pesquisador científico do IAC Roberto Blanco, toda a área experimental foi perdida. As plantas já apresentavam frutos desenvolvidos e a folhagem, utilizada nas análises genéticas, também foi destruída.

"O experimento estava praticamente concluído. Os acessos plantados já estavam formados, mas a intensidade da chuva, dos ventos e do granizo comprometeu totalmente a pesquisa", afirmou.

O estudo teve início em 2025 e avaliava cerca de 300 acessos de tomate, entre variedades silvestres e híbridas, com o objetivo de identificar características genéticas de interesse e renovar o banco de sementes da instituição.

Na primeira fase, os pesquisadores conseguiram produzir sementes de materiais que demonstraram resistência a dez doenças diferentes. Essas sementes deram origem ao plantio que foi atingido pelo temporal.

Apesar da perda da área experimental, parte do material genético permanece preservada. As sementes produzidas na primeira etapa estavam armazenadas em câmara fria e serão transferidas para a sede do IAC, em Campinas, após os danos provocados pela falta de energia e pelo destelhamento de estruturas da unidade de Ribeirão Preto.

Além da pesquisa com tomates, uma estufa que abriga um acervo de pimentas também sofreu danos parciais.

Eventos extremos preocupam pesquisa agropecuária

A destruição do experimento ocorre em um momento de preocupação crescente com os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a pesquisa agropecuária.

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) afirma que havia alertado recentemente o governo paulista para a necessidade de ampliar investimentos em prevenção e infraestrutura diante da perspectiva de um novo período de influência do fenômeno El Niño.

Segundo a entidade, as áreas experimentais ligadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento enfrentam limitações orçamentárias para ações preventivas, enquanto a redução de equipes de apoio dificulta tanto a manutenção das fazendas experimentais quanto a resposta a eventos climáticos.

A presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens, afirma que os prejuízos registrados em Ribeirão Preto evidenciam a vulnerabilidade da estrutura de pesquisa.

"São danos que agravam a condição atual da pesquisa científica no Estado. Os resultados continuam sendo alcançados graças ao empenho dos pesquisadores, mas faltam estrutura adequada e profissionais de apoio", disse.

Na área dedicada ao cultivo de tomates, o pesquisador responsável atualmente não conta com servidores de apoio permanente e depende da contratação de serviços terceirizados para realizar parte do manejo da área experimental.

A expectativa do IAC é retomar o projeto utilizando o material genético preservado da primeira fase do estudo, embora a perda da etapa de campo represente atraso no cronograma da pesquisa.