CNA se preocupa com ritmo lento das renegociações das dívidas rurais

Volume contratado somou R$ 3,19 bilhões até 16 de setembro, respondendo por pouco mais de 12% dos recursos autorizados de R$ 25,8 bilhões. Data limite para adesão é 12 de novembro

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
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A  CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) manifestou preocupação com o ritmo de contratação das linhas especiais de crédito rural criadas pela Medida Provisória nº 1.376, publicada em julho, para a composição, liquidação ou amortização de dívidas e Cédulas de Produto Rural (CPRs).

Até 16 de setembro, cerca de R$ 3,19 bilhões haviam sido contratados por meio da medida, distribuídos em aproximadamente 10,8 mil novas operações e 17,9 mil renegociações, segundo dados apresentados pelo Ministério da Fazenda durante reunião da Câmara Temática de Crédito, Seguro e Comercialização do Agronegócio (Modercred) da CNA.

De acordo com o monitoramento do governo, a taxa média das operações prefixadas estava em 8,56% ao ano, com prazo médio de 9,06 anos e valor médio de R$ 295,7 mil por operação.

CNA aponta dificuldades de acesso

O total autorizado para operações subsidiadas gira em torno de R$ 25,8 bilhões. A data-limite para contratar as operações de composição de dívidas segue em 12 de novembro de 2026.

Durante uma reunião realizada na semana passada em São Paulo, representantes do setor relataram dificuldades enfrentadas por produtores de diferentes regiões para acessar as condições previstas na MP e renegociar os débitos junto às instituições financeiras.

Para o presidente da Modercred e coordenador de Produção Agrícola da CNA, Guilherme Rios, o volume contratado ainda é baixo diante da necessidade do setor.

Segundo ele, é preocupante que, mais de dois meses após a publicação da medida, o volume das contratações se situe em R$ 3 bilhões.

Segundo Rios, até mesmo o Banco do Brasil, que possui uma das maiores carteiras de crédito rural do país, apresentou baixo volume de operações dentro da medida.

Para ele, é necessário um ajuste nos rumos da MP para que os recursos, de fato, cheguem aos produtores.