CNseg revisa projeção do mercado de seguro rural e prevê queda de 3,9%
Entidade aponta falta de recursos para subvenção como principal entrave ao crescimento do setor

A a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) revisou para baixo a projeção do mercado de seguro rural e passou a prever queda de 3,9% em 2026, revertendo a expectativa anterior de alta de 2,3%. A redução acontece após recuo de 8,8% do mercado em 2025.
A revisão foi apresentada nesta terça-feira (8) pelo presidente da entidade, Dyogo Oliveira, que atribuiu a piora à falta de recursos no orçamento para sustentar a subvenção ao prêmio do seguro rural.
“Nós tínhamos uma projeção de um crescimento de 2,3% do seguro rural para 2026 e nós revisamos agora para uma redução de 3,9%, isso em cima de uma redução em 2025 já de 8,8%. E basicamente tem a ver com o fato de que a gente ainda não teve no orçamento desse ano os recursos que eram necessários para retomar o crescimento do seguro rural”, afirmou.
A entidade também apresentou dados que mostram a perda de alcance do seguro rural nos últimos anos.
Segundo o material divulgado, a área segurada saiu de 13,7 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões de hectares em 2025. No mesmo período, a taxa de cobertura do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) caiu de 16,3% para 3,3%.
Dyogo Oliveira afirmou que o Brasil vive um retrocesso na proteção da produção agropecuária justamente em um momento de maior dependência de financiamento privado e de aumento dos riscos climáticos.
“O agronegócio brasileiro deixou de ter um financiamento exclusivamente público e passa a ter um majoritariamente privado. E a outra mudança desse cenário foi o crescimento dos riscos climáticos. Então essa combinação chama a necessidade do seguro, porque, tendo cada vez mais o financiamento privado, você não vai mais ter aquelas opções que tinha antigamente de renegociação, reestruturação e parcelamento”, disse.
Na avaliação do presidente da CNseg, esse ambiente tem pressionado principalmente pequenos e médios produtores, mais expostos a perdas de safra e sem margem para absorver prejuízos.
“Não surpreende de maneira alguma esse problema que está tendo de crescimento de recuperação judicial. É porque o agronegócio brasileiro é hoje, entre os grandes agronegócios do mundo, o que está mais fragilizado do ponto de vista de gestão de risco”, afirmou.
Oliveira atribuiu parte importante desse cenário à redução dos recursos públicos para o seguro rural e ao contingenciamento do orçamento.
“Grande parte disso é responsabilidade da redução dos recursos do programa de subsídio ao produtor rural. O recurso que estava no orçamento já era absurdamente insuficiente e ainda cortaram 50% disso”, disse.
Segundo ele, a queda da área segurada encarece o próprio seguro e reduz a competição no mercado.
“Ao reduzir a área completamente, você aumenta o custo médio, porque você vai ficando em áreas cada vez de maior risco. (...) Então, ao ter essa redução, o custo do seguro aumenta e desestimula a atração de novos players, novas seguradoras, porque o mercado está ficando cada vez menor”, afirmou.
Durante a coletiva, o presidente da CNseg também disse que há uma dívida do Tesouro Nacional com seguradoras referente à subvenção ao prêmio.
“Há uma dívida nesse momento do Tesouro Nacional de mais ou menos 500 milhões com seguradoras já. Isso está dentro de um cronograma de pagamento que a própria regulamentação permite, mas, de qualquer forma, acende um sinal amarelo”, declarou.
A entidade defendeu ainda a aprovação do projeto relatado pelo deputado Pedro Lupion, de autoria da senadora Tereza Cristina, que trata da revisão de regras do seguro rural.
Segundo Oliveira, dois pontos são centrais no texto: a proibição de contingenciamento do orçamento do seguro rural e a criação de um fundo de estabilização.
“Esse projeto de lei traz um elemento fundamental, que é o não contingenciamento do orçamento do seguro rural. (...) E traz também um outro elemento fundamental, que é a criação de um fundo estabilizador do seguro rural”, disse.
A proposta prevê a formação de uma reserva com contribuições privadas e possibilidade de aportes públicos para reduzir a volatilidade do preço do seguro em anos de perdas climáticas mais severas.
Dyogo Oliveira também defendeu maior regionalização das soluções e adaptação dos produtos às diferentes realidades do campo.
Na apresentação, a CNseg informou ainda que a arrecadação do ramo rural somou R$ 12,91 bilhões em 2025. Para o mercado segurador como um todo, a projeção atual é de crescimento nominal de 7,4% em 2026, abaixo da estimativa anterior, de 8,5%.


