Com oferta elevada, preço futuro do cacau recua 3,32% na bolsa de Nova York
Os fundamentos do mercado seguem pressionados pela demanda enfraquecida e pela oferta global elevada

Os preços do cacau fecharam em queda na bolsa de Nova York na sessão desta quinta-feira (12). O contrato para entrega em maio foi cotado a US$ 3.315 por tonelada, recuo de 3,32% na sessão.
Os contratos futuros chegaram a cair para abaixo de US$ 3.300 por tonelada, em movimento de consolidação após atingirem máximas próximas de US$ 3.450 em 10 de março, impulsionadas por notícias de exportações expressivas e por tensões geopolíticas.
Segundo a Reuters, processadoras locais da Costa do Marfim firmaram mais de 400 mil toneladas em contratos de exportação nos dez dias seguintes à retomada das compras, sinalizando retomada da atividade comercial diante das recentes quedas de preços.
Apesar disso, os fundamentos do mercado seguem pressionados pela demanda enfraquecida e pela oferta global elevada.
Projetos de expansão no Nordeste do Brasil adicionariam cerca de 75 mil hectares de novas áreas de cultivo, segundo estimativa da consultoria Czarnikow, volume suficiente para suprir quase 5% da demanda global de cacau.
Para Paulo Torres, consultor da indústria cacaueira e produtor na Bahia, os atuais níveis de preços colocam em risco esses investimentos, em que muitos produtores cancelaram o plano de ampliar área de cacau neste ano.
Segundo ele, as cotações atuais não cobrem os custos de implantação e produção de novos plantios, tornando vários projetos no Brasil economicamente inviáveis.
Café
Na bolsa de Nova York, o contrato futuro do café arábica para entrega em maio avançou 1,57%, encerrando a sessão cotado a US$ 2,919 por libra-peso.
Os preços foram sustentados pelas tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio. O Irã teria influência no fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota do comércio marítimo global.
De acordo com o Tranding View, o bloqueio da hidrovia elevou os custos de frete, seguros e combustível no transporte marítimo, pressionando os gastos de importadores e torrefadores de café e contribuindo para a valorização das cotações.
Açúcar
Na bolsa de Nova York, o contrato futuro do açúcar com entrega em maio encerrou a sessão desta cotado a US$ 14,38 por libra-peso, alta de 0,91%.
Apesar do avanço no dia, as cotações seguem abaixo das máximas de dois meses registradas no início da semana.
De acordo com o Tranding View, a valorização do petróleo bruto, que subiu cerca de 8%, deu suporte ao mercado. Com preços mais altos do petróleo, o etanol tende a ganhar competitividade, levando usinas ao redor do mundo a direcionarem mais cana para a produção do biocombustível, o que reduz a oferta de açúcar.
Algodão
Os preços do algodão terminaram a sessão praticamente estáveis na bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em maio recuou 0,05%, para US$ 65,14 por libra-peso.
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o período atual é de entressafra para o algodão. Mesmo assim, diferentemente de anos anteriores, há maior disponibilidade do produto.
Com isso, apesar da valorização da pluma na bolsa internacional, os preços internos permaneceram dentro de patamares semelhantes ao longo do mês.
Na comparação semanal, houve alguma recuperação nas cotações, com aumento do interesse comprador, tanto no mercado spot quanto para embarques em até 30 dias, informou a consultoria.
Suco de laranja
O contrato futuro do suco de laranja para entrega em maio encerrou o dia na bolsa de Nova York cotado a US$ 1.978 por tonelada, com queda de 0,68%.


