Com valor agregado, FriGol amplia vendas no mercado interno no 2º trimestre
Mercado doméstico alcançou R$ 769,5 milhões no trimestre e respondeu por 47,6% do faturamento da companhia

A FriGol, quarto maior grupo frigorífico do país, ampliou a participação do mercado interno no faturamento no segundo trimestre de 2026, em um movimento que reforça a estratégia da companhia de aumentar a presença de produtos de maior valor agregado no mercado brasileiro. Entre abril e junho, o mercado doméstico respondeu por 47,6% da receita bruta da empresa, ante 43,8% no mesmo período do ano passado.
A FriGol registrou receita bruta de R$ 1,617 bilhão, alta de 56,5% na comparação anual, enquanto o volume de vendas de bovinos e subprodutos chegou a 85,6 mil toneladas, aumento de 47%. O número de bovinos abatidos também cresceu 45,9%, ficando em 225,5 mil cabeças.
No mercado doméstico, o faturamento alcançou R$ 769,5 milhões no segundo trimestre, crescimento de 70,5% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado superou o avanço registrado nas exportações, que tiveram faturamento de R$ 847,6 milhões, alta de 45,6%.
Segundo Luciano Pascon, CEO da FriGol, o desempenho do mercado brasileiro surpreendeu positivamente a companhia ao longo do ano. De acordo com o executivo, a empresa encontrou um mercado resiliente, capaz de absorver preços mais elevados em um cenário de valorização do boi.
“A gente teve uma surpresa muito positiva com o mercado interno. Vimos desde o início do ano preços muito firmes, conseguindo na maior parte dos momentos repassar preços, em razão da alta da arroba do boi", informou em entrevista à CNN.
A companhia vem buscando elevar a participação de linhas especiais e cortes de maior qualidade dentro do mix comercial. A apresentação de resultados mostra que as linhas especiais representaram 21% das vendas domésticas no segundo trimestre, contra 24% em 2025. Apesar da oscilação, a participação permanece bem acima dos 13% registrados em 2021.
A companhia também trabalha para aumentar a disponibilidade dessas linhas por meio de uma classificação mais rigorosa das carcaças. Segundo o executivo, a FriGol tem utilizado inteligência artificial para tornar a avaliação mais homogênea e identificar animais capazes de gerar produtos com características superiores.
“Cada dia mais classificamos carcaças de qualidade superior para produzir mais volume de linhas especiais”, afirmou o executivo.
A aposta está ligada à percepção da empresa de que o consumidor brasileiro está mais disposto a buscar produtos com atributos como maciez, sabor, coloração e acabamento. Nesse contexto, entram marcas e linhas como FriGol Angus, FriGol Chef, BBQ Secrets e o Açougue Completo.
No balanço da companhia aponta que a linha FriGol Angus como voltada a produtos com maior acabamento de gordura e marmoreio, enquanto a FriGol Chef reúne cortes selecionados e padronizados para o churrasco.
Açougue Completo ganha escala
Uma das principais apostas para ampliar a presença no varejo é o projeto Açougue Completo. A iniciativa envolve parcerias com supermercados para reorganizar a área de açougue, incluindo comunicação visual, desenvolvimento de produtos, apresentação dos cortes e oferta de produtos selecionados.
O projeto passou de 60 lojas no ano passado para 75 unidades atualmente, segundo Pascon. A lógica é aumentar a atratividade do ponto de venda e, ao mesmo tempo, reduzir perdas para o supermercadista.
Segundo o CEO, a apresentação dos produtos pode estimular o consumidor a levar mais de um corte. “O consumidor compra com os olhos”, afirmou.
A estratégia também permite à FriGol trabalhar com produtos padronizados e de maior qualidade, criando uma relação mais próxima com o varejo e aumentando o valor gerado em cada ponto de venda.
Atacarejos e distribuição regional entram na estratégia
Além dos supermercados, a companhia identifica espaço para crescimento no atendimento a atacadistas e atacarejos. Segundo Pascon, esses clientes passaram a buscar não apenas o produto, mas também os serviços associados ao fornecimento da FriGol.
A empresa já trabalha com um polo no Sudeste e outro no Nordeste e está estruturando uma nova frente de distribuição no Noroeste. A operação contempla clientes do noroeste de Mato Grosso, Rondônia, Acre, Manaus e Boa Vista, em Roraima.
Para a companhia, a expansão regional cria oportunidade para oferecer produtos com maior qualidade, regularidade de fornecimento e garantia sanitária.
Mercado interno ganha importância com mudança no mix
O aumento da participação doméstica ocorre em um momento em que a FriGol também trabalha para diversificar os destinos da produção. No segundo trimestre, o mercado externo ainda respondeu por 52,4% do faturamento, mas perdeu espaço em relação aos 56,2% registrados um ano antes.
No acumulado de doze meses até o segundo trimestre, a companhia registrou faturamento bruto de R$ 5,1 bilhões, alta de 26,3%, com o mercado doméstico representando aproximadamente 46% da receita.
A mudança também ganha relevância diante da concentração das exportações. No segundo trimestre, a China respondeu por 75% do faturamento externo da companhia, seguida por Chile, com 5%, e Hong Kong, com 4%.
Para Pascon, a estratégia é aproveitar melhor cada parte do boi e direcionar os diferentes cortes para os mercados em que existe maior demanda e capacidade de geração de valor.
“Esse negócio você desmonta o boi e depois tem que montar as partezinhas aonde melhor elas se encaixam em termos de resultado e de demanda”, explicou.
A lógica ajuda a explicar por que a companhia pretende continuar investindo no mercado doméstico, especialmente em produtos de maior valor agregado. Em vez de depender apenas do crescimento do volume abatido, a companhia busca aumentar o retorno por meio de um mix mais sofisticado, maior eficiência industrial e uma distribuição capaz de aproximar os produtos de qualidade do consumidor final.
Mesmo com o avanço das vendas, o segundo trimestre mostrou pressão sobre as margens. O EBITDA ( Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) caiu 65,7%, para R$ 52,9 milhões, enquanto o lucro líquido teve queda de 97,5%, para R$ 2,2 milhões. A margem EBITDA passou de 15,7% para 3,4% no período.

