Cooxupé conclui venda inédita de créditos de carbono no café

Piloto envolveu 12 cooperados, em uma área de 43,27 hectares, onde foram implantados sistemas regenerativos com corredores de árvores

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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A Cooxupé deu início à comercialização de créditos de carbono gerados dentro da própria cadeia do café pela primeira vez. A cooperativa afirma que o projeto é o primeiro no Brasil a gerar créditos de carbono a partir da arborização de lavouras de café — um movimento que pode reposicionar o país no debate sobre sustentabilidade e agregação de valor na cadeia cafeeira.

O piloto envolveu 12 cooperados, em uma área de 43,27 hectares, onde foram implantados sistemas regenerativos com corredores de árvores. Como resultado, houve o sequestro de 649,94 toneladas de carbono, com distribuição de R$ 104,6 mil aos produtores participantes, segundo a cooperativa.

Os participantes estão distribuídos em diferentes regiões produtoras — Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas de Minas —, o que indica potencial de replicação em diferentes sistemas produtivos.

A Cooxupé prepara agora a expansão da iniciativa, com abertura de edital para novos cooperados e a entrada da certificadora internacional Gold Standard.

A operação foi realizada no modelo de “insetting”, quando empresas da própria cadeia produtiva investem na redução de emissões na origem. Nesse caso, um cliente da cooperativa adquiriu os créditos, e os recursos foram repassados diretamente aos cafeicultores.

A ideia foi criar uma fonte de renda extra atrelada à sustentabilidade. A Cooxupé também doou 5 mil mudas para reforço da biodiversidade nas propriedades. Segundo a gerente ESG da Cooxupé, Natalia Fernandes Carr, o projeto comprovou a conciliação de produtividade com sustentabilidade ambiental e financeira no campo.

Base científica e monitoramento

Estruturado ao longo de 2024, o projeto conta com apoio técnico da pesquisadora Madelaine Venzon, da EPAMIG. A iniciativa utiliza espécies com nectários extraflorais — como ingá e fedegoso — para atrair inimigos naturais de pragas e aumentar a biodiversidade nas lavouras.

A estruturação e comercialização dos créditos é feita pela GrowGrounds, enquanto a Clima Café atua na recomendação de espécies e suporte técnico. O monitoramento do carbono sequestrado utiliza imagens de satélite, drones e georreferenciamento, com validações periódicas em campo.