Cotação da soja sobe em Chicago com política de biocombustíveis nos EUA

Preços do milho e trigo também registraram altas diante da recuperação nas exportações

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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As cotações futuras da soja fecharam com avanços na sessão desta quarta-feira (25) na bolsa de Chicago.  O contrato futuro para entrega em maio fechou com alta 1,45% e cotado em US$ 11,7175por bushel.

De acordo com as informações do analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira,
 o mercado também reagiu a fundamentos internos americanos. A expectativa de maior esmagamento de soja nos Estados Unidos, impulsionada pela política de biocombustíveis e pela mistura obrigatória, tende a elevar o consumo de óleo de soja e fortalecer a demanda doméstica.

Caso esse movimento se combine com uma atuação mais agressiva da China nas importações, o resultado pode ser um aperto nos estoques norte-americanos.

O movimento ganhou força após declarações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de um encontro com o presidente da China em maio. "A sinalização reforçou as especulações de uma retomada mais consistente da demanda chinesa no segundo semestre, especialmente voltada à nova safra dos Estados Unidos", informou. 

Mesmo diante da perspectiva de aumento na área plantada com soja na próxima safra, cuja confirmação deve vir com o relatório de intenção de plantio do USDA (Departamento de Agricultura nos Estados Unidos) no dia 31, o viés segue atento ao equilíbrio entre oferta e demanda. A tendência apontada até o momento indica expansão da soja em detrimento do milho, acompanhando as atuais relações de troca.

No Brasil, por outro lado, o mercado físico apresentou pouca reação. A entrada expressiva de produto, mesmo com o atraso na colheita, mantém pressão sobre os preços. Estima-se que entre 68% e 70% da área nacional de soja já tenha sido colhida, o que amplia a oferta disponível.

Com isso, os preços internos seguem pouco atrativos ao produtor, resultando em uma comercialização mais lenta. Apesar das altas registradas em Chicago, os prêmios nos portos brasileiros tendem a recuar, limitando repasses positivos ao mercado doméstico e mantendo o cenário de cautela nas negociações.

Milho

O
 contrato futuro para entrega maio do milho finalizou a sessão com alta de 1,03%na Bolsa de Chicago, em que ficou cotado em US$ 4,6725por bushel.

De acordo com a análise da Agrinvest, os preços futuros do milho subiram nesta sessão com o mercado reagindo à decisão da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) sobre o mandatório de etanol nos Estados Unidos.

"O waiver permitirá vendas de E15 entre 1º e 20 de maio, mantendo E10 e e15 no verão. A medida reforça o consumo de etanol em um cenário de energia cara, sustentando diretamente a demanda interna por milho americano", informou a agrinvest.

A Safras & Mercado, informou que ritmo forte das exportações dos Estados Unidos também está no radar do mercado. Apesar de o país ainda contar com estoques elevados após uma safra robusta, o bom desempenho no escoamento externo dá sustentação às cotações e contribui para o ambiente mais firme observado no mercado internacional.

Trigo

Os preços futuros do trigo finalizaram a sessão com valorização na Bolsa de Chicago, em que o vencimento para maio registrou avanço 1,31% e está cotado em US$ 5,9775 por bushel.

De acordo com as informações internacionais, o mercado vê uma recuperação nas exportações de grãos após o fraco desempenho da semana anterior.

De acordo com os analistas ouvidos no The Wall Street Journal, a previsão mais otimista dos analistas coloca as exportações de grãos em patamares semelhantes aos do início do mês, com o milho podendo atingir 1,5 milhão de toneladas, a soja 500 mil toneladas e o trigo 600 mil toneladas.

“O mercado pode reagir positivamente às exportações de milho e trigo caso os números se confirmem na faixa mais alta das estimativas, mas as vendas de soja provavelmente serão vistas como decepcionantes, mesmo que fiquem na faixa mais elevada”, informou.