Custo de alimentação de gado atinge menor nível no Centro-Oeste
Indicador ICAP registra queda de 6,04% em fevereiro, o menor patamar para o mês na série histórica da região

O custo alimentação de confinamento de bovinos apresentou comportamentos distintos entre as principais regiões produtoras do país em fevereiro de 2026, segundo o Índice de ICAP (Custo Alimentar Ponta). O levantamento aponta queda significativa no Centro-Oeste, onde o indicador atingiu o menor nível já registrado para o mês de fevereiro na série histórica, enquanto no Sudeste houve leve alta.
No Centro-Oeste, o custo alimentar fechou fevereiro em R$ 11,82 por cabeça ao dia, recuo de 6,04% em relação a janeiro. Na comparação anual, a redução chega a 14,04% frente a fevereiro de 2025.
Já no Sudeste, o ICAP foi de R$ 12,65 por cabeça/dia, avanço de 2,76% no comparativo mensal e praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado, com leve alta de 0,16%.
Com esse movimento, a diferença de custos entre as duas regiões voltou a se ampliar após ter atingido, em janeiro, o menor intervalo da série histórica.
Comportamento dos insumos
A análise trimestral dos insumos mostra que, no Centro-Oeste, os custos apresentaram tendência predominantemente de queda entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.
Os insumos energéticos recuaram 7,14%, influenciados principalmente pelo uso de sorgo grão seco e casca de soja, enquanto o milho grão seco permaneceu estável. Já os proteicos registraram acomodação de preços no período, contribuindo para reduzir o custo médio das dietas.
Por outro lado, os volumosos tiveram leve alta, reflexo da transição para o período de entressafra e ajustes no custo de produção das silagens.
De acordo com o estudo, os três grupos de insumos registraram valorização no período, com destaque para os volumosos, que subiram 17,27%. O aumento foi impulsionado principalmente pela alta no custo da silagem de milho, amplamente utilizada nas dietas de confinamento da região.
Os proteicos também tiveram elevação moderada, enquanto os energéticos registraram leve aumento, pressionando o custo médio da alimentação.
Rentabilidade do confinamento
Mesmo com diferenças regionais nos custos, a combinação entre alimentação mais barata e preços firmes da arroba manteve a rentabilidade do confinamento em patamar positivo em fevereiro.
O custo estimado da arroba produzida foi de R$ 197,27 no Centro-Oeste e R$ 215,10 no Sudeste.
Considerando as cotações médias do boi gordo no mercado físico, R$ 331 na praça de Cuiabá e R$ 346 na praça de São Paulo, segundo dados da Scot Consultoria, o resultado foi um lucro estimado de R$ 1.028 por cabeça no Centro-Oeste e R$ 1.021 por cabeça no Sudeste.
Os dados também mostram eficiência produtiva semelhante entre as regiões. No Sudeste, a produção média foi de 7,80 arrobas por animal, enquanto no Centro-Oeste ficou em 7,69 arrobas, ambos com 114 dias de cocho.
No mercado de exportação, considerando as cotações do chamado boi China, as margens podem superar R$ 1.090 por animal nas duas regiões.
Relação de troca melhora para o confinador
Outro destaque do levantamento foi a melhora na relação de troca entre o preço da arroba do boi gordo e o custo alimentar diário.
Em fevereiro de 2026, uma arroba foi suficiente para pagar 27,99 dias de alimentação no Centro-Oeste e 27,35 dias no Sudeste, o melhor resultado já registrado para o Centro-Oeste desde o início da série histórica do indicador, em 2024.
Na prática, isso significa que atualmente um confinador precisa de pouco mais de quatro arrobas para pagar toda a alimentação de um ciclo médio de confinamento, enquanto em fevereiro de 2024 eram necessárias mais de oito arrobas.
Em termos produtivos, a alimentação chegou a representar mais de 100% da produção do animal em 2024, enquanto atualmente corresponde a cerca de 53%, liberando maior parte da arroba produzida para cobrir outros custos operacionais e ampliar as margens da atividade.


