Custos terão de ser repassados ao consumidor com fim da 6x1, diz Abiec
Frigoríficos deverão contratar mais trabalhadores para manter a produção; executivo que representa as indústrias exportadoras vê impacto da reforma tributária sobre o setor

O fim da escala 6x1 vai elevar os custos da indústria de carnes, que deverão ser repassados aos preços, segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). O executivo afirmou que os frigoríficos terão de reorganizar as equipes e contratar trabalhadores para manter o ritmo de produção com mais períodos de descanso.
“Fim da escala 6 por 1 é aumento de custo na veia. O primeiro ponto é esse. Isso, é claro que a indústria vai ter que acabar repassando isso”, declarou Perosa em conversa com a imprensa durante a Sial (Salão Internacional da Alimentação) em Paris.
Segundo ele, a redução dos dias trabalhados exigirá que outros profissionais assumam as funções de quem estiver de folga, para garantir a continuidade da produção de alimentos.
“Se você quer trabalhar menos, ter maior período de descanso, alguém vai ter que trabalhar no seu lugar, porque a gente vai continuar produzindo comida”, afirmou.
O presidente da Abiec reconheceu que a mudança representa uma escolha da sociedade brasileira e dos políticos pressionados pela população. Ele, porém, destacou que a adaptação das empresas terá impacto sobre os custos de produção.
Perosa não apresentou uma estimativa do aumento das despesas nem quantificou o impacto do repasse sobre os preços da carne.
Reforma tributária também preocupa o setor
Além da mudança na jornada de trabalho, Perosa apontou a reforma tributária como uma preocupação para a indústria de carnes. Na avaliação do executivo, os efeitos das alterações no sistema de impostos podem ser ainda maiores para o setor.
“Para além da 6 por 1, nós temos uma reforma tributária que tem um impacto muito maior no setor. É um impacto gigantesco”, afirmou.
O presidente da Abiec disse que a entidade pretende ampliar o diálogo sobre o tema na parte final do ano, após o período eleitoral.
Entre os pontos que precisam ser analisados, citou o PIS (Programa de Integração Social), a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e o crédito presumido desses tributos.
Segundo Perosa, o setor precisa avaliar como as mudanças tributárias afetarão os custos e a operação das empresas.
*A jornalista viajou a convite da ApexBrasil


