Aprovação de etanol de milho em navios é marco histórico, dizem empresários

Em maio, a OMI definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por megajoule

Por Oliver Griffin, da Reuters
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A decisão da Organização Marítima Internacional (OMI) de definir a pegada ​de carbono do etanol de milho brasileiro é ​um passo histórico que pode posicionar o transporte marítimo como um importante mercado para o setor no futuro, afirmaram executivos da indústria à Reuters.

Em maio, a OMI definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por megajoule, referindo-se especificamente ao biocombustível produzido a partir da ⁠segunda safra de milho do ​país.

A intensidade média atual de gases de efeito estufa no transporte marítimo ​é de 93,3 gramas de CO2e por megajoule, de acordo com a organização.

O valor ⁠definido pela OMI para o etanol de ⁠milho brasileiro é um passo significativo à medida que a agência ​elabora ‌regulamentações para combustíveis de baixo carbono, disse o vice-presidente de Trading da Inpasa, Gustavo ⁠Mariano.

"Foi um marco histórico, simbólico", disse Mariano em entrevista, acrescentando que isso consolida a posição do etanol de milho brasileiro e sul-americano como um combustível viável para a descarbonização.

Por décadas, a ‌indústria ⁠de etanol do ‌Brasil foi dominada pelos produtores de cana-de-açúcar do país. No entanto, de acordo com a associação setorial Unem, a produção de etanol de milho disparou para quase 10 bilhões ⁠de litros na safra de 2025/26, ante ⁠2,65 bilhões de litros no início da década.

Assim que os biocombustíveis receberem aprovação para uso na navegação, os ‌produtores poderão se beneficiar de possíveis prêmios sobre combustíveis mais ecológicos, disse o presidente-executivo da FS, fabricante de etanol de milho, Rafael Abud.

"Nós temos investido muito em todos os aspectos que podemos para descarbonizar o nosso produto", disse Abud, citando esforços para ‌reduzir as emissões decorrentes do uso de biomassa, eficiência industrial e um projeto de bioenergia com captura e armazenamento de carbono que poderia, eventualmente, tornar o etanol ⁠da FS carbono negativo.

A escala da indústria global de transporte marítimo significa que o etanol de milho de segunda safra do Brasil não entrará em concorrência com outros biocombustíveis, ​como o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel, mas, ao contrário, os complementará, afirmaram os ​executivos.

"Se a gente for transformar todo o mercado de bunker, que é do mundo, em etanol equivalente, são quase 400 bilhões disso. São volumes tão grandes que, definitivamente, para uma transição eficiente, nós precisamos de todos os ‌biocombustíveis que sejam sustentáveis."