Eloos reúne lideranças para debater os desafios e o futuro do agronegócio

Evento ocorre nesta segunda-feira (1), em Belo Horizonte, com autoridades e representantes para debater influência da geopolítica, safra forte versus estrutura frágil e ciência para dentro das porteiras

Isadora Camargo, da CNN Brasil, Belo Horizonte
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Responsável por quase um terço do crescimento da economia brasileira em 2025, o agronegócio é potência mundial, mas convive com desafios na infraestrutura para suportar safras cada vez mais robustas.

Entre gargalos e oportunidades, a cadeia busca soluções para que o Brasil lidere a produção de alimentos com sustentabilidade ambiental e financeira, diante de pressões maiores da geopolítica.

Este será o foco do quarto ciclo do Eloos, iniciativa da Itatiaia em parceria com a CNN Brasil voltada à discussão de temas estratégicos para o desenvolvimento do país e que, nesta segunda-feira (1), em Belo Horizonte, reúne autoridades, lideranças setoriais e especialistas da cadeia agropecuária.

O evento acontece no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte. A programação prevê debates sobre geopolítica, gargalos estruturais e inovação tecnológica no campo.

São esperados os pré-candidatos à Presidência da República: Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (NOVO) e Ronaldo Caiado (PSD).

Representantes do setor produtivo, da pesquisa e da indústria também participarão das discussões. Entre eles o presidente do Sistema Faemg, Antônio de Salvo; o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Bellini Leite; o presidente da Girolando, Alexandre Lacerda; e a presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal, Adriana Maugeri.

"Trazer maior segurança e menor dependência das questões externas, como a compra de fertilizantes, é o grande mote do nosso debate", destacou a Maugeri.

A representante do setor florestal defende a criação de uma uma espécie de "plano de Estado do agronegócio", que seja cumprido à risca, com envolvimento de múltiplas cadeias e entidades públicas e privadas.

Ela pretende defender a ideia como solução intersetorial durante o evento.

Outros temas  relacionados à competitividade do agro brasileiro, incluindo inovação tecnológica, infraestrutura, sustentabilidade, crédito rural, logística e gestão da produção,estão na agenda de debate.

O agronegócio respondeu por 32,8% da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025. O setor também representou quase metade das exportações nacionais no período, com vendas externas que somaram US$ 169,2 bilhões.

Entretanto, há fatores que influenciam o desempenho de uma atividade considerada estratégica para a economia nacional e para a segurança alimentar global, como a logística, o custo de transporte e as fragilidades industriais.

É o que avalia Alexandre Lacerda, presidente da Girolando (Associação Brasileira de Criadores de Girolando). "Hoje, enfrentamos muitas dificuldades com uma cadeia desleal com as importações de leite subsidiados da Argentina e do Uruguai. São vários fatores, como logística, abastecimento e custo de produtos para dar mais tranquilidade ao produtor", afirmou.

Lacerda, que estará no Eloos para debater problemas que atingem a pecuária leiteira, enfatizou que os gargalos vão além dos logísticos.

"Há uma busca constante por eficiência, por animais melhores, melhoramento genético nas raças e aumento da produtividade dos animais", frisou.  

Programação

A programação será dividida em três momentos principais. O primeiro painel discutirá o papel do agro em um cenário de crescente influência da geopolítica sobre os mercados globais.

Em seguida, especialistas abordarão os desafios de infraestrutura enfrentados pelo setor em um contexto de safras cada vez maiores. O encerramento será dedicado ao avanço da ciência, da tecnologia e da inovação dentro das propriedades rurais.

Criado para promover o diálogo entre setor privado, poder público e especialistas, o projeto Eloos já reuniu, em ciclos anteriores, autoridades nacionais e executivos de grandes empresas em discussões sobre energia, infraestrutura e desenvolvimento econômico.