Em Chicago, soja recua com queda do farelo e incertezas globais

O aumento nos preços do petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz sustentaram as commodities agrícolas

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja com vencimento em julho encerraram a sessão desta segunda-feira (20) com recuo de 0,10%, cotados a US$ 11,818 por bushel. Os preços foram pressionados pela queda do farelo de soja e pela falta de notícias positivas para a oleaginosa, que apresenta um atraso significativo nas exportações em comparação com o ano anterior.

Segundo a consultoria Granar SA, a queda é limitada pelos ganhos no preço do óleo de soja, que reage ao novo aumento nos preços do petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz. A consultoria AgRural informou que a colheita de soja no Brasil está 92% concluída, em comparação com 87% na semana anterior e 94% no mesmo período de 2025.

Milho

Os contratos do milho também para julho encerraram o dia com leve avanço de 0,60%, cotados a US$ 4,603 por bushel, após a valorização da semana anterior. A commodity continua sendo sustentada pelo ritmo acelerado das exportações americanas, que estão a caminho de atingir a meta recorde do USDA para o atual ano comercial.

A informação foi confirmada hoje por um relatório semanal positivo sobre a inspeção de embarques dos EUA, onde o USDA registrou embarques de milho de aproximadamente 1,6 milhões de toneladas, volume acima do reportado pelo relatório anterior e próximo do máximo esperado pelos comerciantes.

As previsões de chuva regular  em grande parte do Centro-Oeste, o que garantiria um bom suprimento de umidade para o progresso do plantio, impulsiona os contratos do milho e soja.

No Brasil, a consultoria AgRural destacou hoje que, no Mato Grosso, a maior parte das lavouras de milho safrinha está em fase de enchimento de grãos, graças às condições climáticas favoráveis ​​até o momento, o que alimenta a expectativa de uma safra abundante.

Trigo

Os contratos do trigo com vencimento em julho encerraram o dia com ganhos de de 1,12%, cotados a US$ 6,060 por bushel. Após ganhos significativos na semana passada, os preços  do trigo aferiram alta devido a preocupações com as más condições das safras de inverno. A previsão indica que não há chuva até quarta-feira no sul das Grandes Planícies, com precipitação esperada ao longo da fronteira leste do Kansas.

A falta de uma resolução para a guerra no Oriente Médio manteria os preços dos insumos agrícolas e dos combustíveis elevados, fator que pode influenciar negativamente as intenções para o plantio de trigo para a safra 2026/2027 no Hemisfério Sul.

O relatório semanal do USDA divulgado hoje sobre a inspeção de remessas dos EUA foi positivo e revelou embarques de trigo de 518 mil toneladas, acima das 272 mil toneladas do relatório anterior e das 350 mil toneladas que as empresas privadas calculam em média.