Em meio a baixa liquidez, arrozeiros buscam dedução fiscal no RS

Setor negocia prorrogação do acordo de crédito presumido do ICMS para conter prejuízos de preços abaixo do custo

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, Porto Alegre
Setor busca medidas para a viabilidade econômica da produção na safra 2025/26  • Crédito Paulo Rossi Divulgação
Compartilhar matéria

Durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, em Capão do Leão (RS), produtores e líderes da cadeia produtiva do arroz, buscam medidas para a viabilidade econômica da produção na safra 2025/26. Dentre as demandas do setor, um acordo para a dedução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para produtores do estado é buscado por entidades. 

Produtores e representantes do setor temem as relações do Mercosul, como no caso do Paraguai, que mantém fluxos para clientes como São Paulo e Minas Gerais. Entidades ligadas ao setor pediram a prorrogação do acordo de crédito presumido do ICMS, que vigora desde agosto de 2025.

O vencimento no final deste mês pode ser prorrogado até dezembro, caso a demanda seja atendida. Para os arrozeiros do Rio Grande do Sul, a prorrogação é medida essencial para favorecer a competitividade do produtor gaúcho às indústrias do sudeste.

Denis Nunes, presidente da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul) destacou a demanda para o controle de preço. “Temos problemas com a tributação, assimetrias que prejudicam a competitividade. Precisamos da continuidade do acordo de crédito presumido para que o Rio Grande do Sul continue como o celeiro do arroz no país”, disse à CNN Brasil.

O crédito presumido, benefício fiscal que permite a dedução de um valor estimado de impostos a pagar, confere um percentual fixo sobre receitas ou compras de empresas. O pacto substitui créditos reais e garante previsibilidade de custos ao produtor.

Instaurado pelo Decreto 58.296/2025, o crédito presumido é direcionado a comercialização de produtos destinados a São Paulo e Minas Gerais.

O cenário de negociação para a safra do arroz encontra  um mercado com baixa ou moderada liquidez e preços firmes. A baixa oferta interna junto a expectativa de produção menor nesta safra eleva as cotações, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), entende a medida como um complemento ao fortalecimento da cadeia orizícola. “Cada real deduzido favorece a produção e, consequentemente, confere mais equilíbrio à economia do estado que mais produz arroz no Brasil. Precisamos desconcentrar a super oferta e a redução do ICMS é um dos fatores que estimula a atividade do produtor e o abastecimento da industrial”, destacou à CNN Brasil.  

A baixa demanda e preferência por outros mercados ocasiona uma atratividade maior para as exportações do cereal, mesmo que o direcionamento majoritário da colheita seja para o consumo interno. Os contratos de exportação têm limitado os volumes nacionais disponíveis no curto prazo, mas as expectativas de maior oferta global intensificam a ampla disponibilidade ao longo do ano.  

Responsável pela maior produção de arroz no Brasil, o Rio Grande do Sul encolheu a área plantada nesta safra para impedir ampla oferta com custos elevados. Segundo o IRGA  (Instituto Rio Grandense do Arroz), a redução da área nesta temporada chega a 8,06% e atinge 891,9 mil hectares. 

Para o Cepea,  a produtividade é estimada em 7,98 toneladas por hectare, 5,8% abaixo da média da temporada passada. Caso se confirme, a produção chega a 10,2 milhões de toneladas, queda de 12% em relação à safra anterior. 

Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra do arroz em 2025/26, a produção brasileira do cereal deve ser de aproximadamente 11 milhões de toneladas. A estimativa indica uma queda de 14% em relação à safra anterior, com redução de 11% na área semeada.