Entidades defendem E32 após Flávio Bolsonaro dizer que pode rever mistura
Em nota, organizações destacam a importância econômica da cadeia de etanol, que reúne produtores de cana, usinas e a indústria de biocombustíveis.

Entidades da cadeia sucroenergética reagiram à declaração do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou que pretende rediscutir a mistura obrigatória de etanol na gasolina caso seja eleito.
A manifestação ocorreu após o CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) elevar temporariamente o percentual de 30% para 32%, no chamado E32.
Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais na quinta-feira (20), Flávio disse que a quantidade de etanol misturada à gasolina "vai ter que ser discutida".
O senador também comparou a mudança na composição do combustível ao fenômeno conhecido como "reduflação" e afirmou que haveria outras formas de incentivar o setor sucroenergético.
Em resposta, seis entidades do setor — UNICA, UNEM, Bioenergia Brasil, FEPLANA, UNIDA e ORPLANA — divulgaram posicionamento conjunto em defesa da política de biocombustíveis. As organizações classificaram a comparação feita pelo senador como inadequada e afirmaram que ela desinforma o consumidor.
Segundo as entidades, a política de incentivo ao etanol é resultado de décadas de construção e atravessou diferentes governos, passando por iniciativas como o Proálcool, o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.
Setor contesta críticas ao E32
O aumento para 32% entrou em vigor em 1º de agosto e tem validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.
A medida foi aprovada pelo CNPE com base em estudos técnicos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.
De acordo com o governo, os ensaios avaliaram veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, incluindo modelos de diferentes idades e tecnologias. Foram analisados aspectos como partida, marcha lenta, aceleração, retomada, dirigibilidade e funcionamento dos sistemas eletrônicos dos motores.
O setor de etanol afirma que os testes incluíram 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas e não identificaram impactos relevantes no desempenho ou na dirigibilidade com a utilização do E32. A própria UNICA sustenta que a mistura foi efetivamente avaliada nos ensaios que embasaram a decisão.
Entidades defendem importância econômica e energética
No posicionamento, as organizações afirmam que o etanol representa uma fonte de energia produzida no país e destacam os efeitos econômicos da cadeia, que reúne produtores de cana, usinas e a indústria de biocombustíveis.
As entidades também sustentam que a maior participação do etanol contribui para reduzir a necessidade de importação de gasolina e reforçar a segurança energética brasileira. O Ministério de Minas e Energia estima que o E32 possa reduzir a necessidade de importação em cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano.

