Etanol de cana pode reduzir emissões em 19% até 2030
Estudo da Agroicone indica que substituição de combustíveis fósseis por biocombustível é chave para metas climáticas e transição energética

Um estudo da Agroicone, obtido com exclusividade pela CNN, revela que o avanço da produção de etanol de cana-de-açúcar no Brasil contribui com a segurança alimentar, desenvolvimento socioeconômico nacional, além de combater mudanças climáticas.
A pesquisa foi feita por meio de uma avaliação dos impactos do crescimento dessa indústria a partir da análise integrada entre agricultura, energia, uso de terra, renda, consumo e comércio internacional.
O estudo propõe que a produção de biocombustíveis e segurança alimentar não são conflitantes e defende que a expansão do setor pode gerar impacto “neutro ou levemente positivo” para a soberania alimentar em nível nacional e mundial.
A tese aponta que o aumento na produção de biocombustíveis promove também a criação de emprego, aumento na renda e no consumo e tende a compensar eventuais altas nos preços dos alimentos.
“Em cenários de mitigação climática, os resultados indicam tendência de aumento de até 6% no consumo de alimentos e crescimento de 2% a 3,5% no PIB per capita até 2030. Esses achados reforçam a importância de considerar não apenas preços, mas também renda, consumo e acesso aos alimentos ao avaliar a segurança alimentar”, explica Luciane Chiodi Bachion, pesquisadora da Agroicone.
Impacto ambiental
Para além das melhorias no âmbito socioeconômico, o estudo indica também que o desenvolvimento da indústria de etanol de cana-de-açúcar no país gera um impacto positivo na redução de emissões de gases de efeito estufa e no cumprimento de metas climáticas.
“Em cenários mais ambiciosos de metas de descarbonização e de maior participação da bioenergia, a substituição de combustíveis fósseis por etanol pode levar a reduções de emissões em aproximadamente 19% até 2030”, destaca Sofia Arantes, pesquisadora da Agroicone.
Segundo o estudo, o avanço do setor é fundamental no processo de transição energética por apresentar: alta eficiência energética, circularidade no sistema produtivo e autossuficiência energética na cadeia.
A análise da Agroicone destaca também que a expansão da cultura de cana-de-açúcar ocorre, na maioria dos casos, sobre áreas degradadas do solo, o que reduz a competição com a produção de alimentos, além de remover carbono do solo.
O estudo conclui que o avanço do setor beneficia, de forma simultânea, segurança energética, mitigação de mudanças climáticas e desenvolvimento socioeconômico e reforça que não há concorrência entre produção de alimentos e biocombustíveis.
*sob a supervisão de Luciana Franco


