Etanol sobe 7,24% após quatro semanas de queda nas usinas de São Paulo

Alta interrompe sequência de quedas e ocorre em meio a maior firmeza dos vendedores; preço do hidratado chegou a R$ 2,19 por litro na última semana

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
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O preço do etanol hidratado negociado pelas usinas de São Paulo subiu 7,24% na semana de 10 a 14 de agosto, interrompendo uma sequência de quatro semanas de queda ou estabilidade no mercado paulista, segundo o indicador Cepea/Esalq.

O litro do biocombustível passou de R$ 2,0457 para R$ 2,1939, maior avanço semanal registrado após um período de pressão sobre as cotações. Na semana anterior, de 3 a 7 de agosto, o preço havia ficado praticamente estável, com alta de apenas 0,01%.

O movimento também atingiu o etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina. O preço médio subiu 5,32% na semana, de R$ 2,3091 para R$ 2,4319 por litro.

A recuperação ocorre depois de um período de queda nas cotações provocado pelo avanço da oferta da safra 2026/27.

No início do ciclo, o aumento da disponibilidade de etanol de cana e a crescente oferta do biocombustível produzido a partir de milho pressionaram os preços.

Nas últimas semanas, porém, o comportamento dos vendedores mudou. Segundo o Cepea, as usinas passaram a demonstrar maior firmeza nas negociações, contribuindo para a recuperação das cotações.

O movimento representa uma mudança em relação às semanas anteriores.

O hidratado havia recuado 2,80% entre 6 e 10 de julho, 2,13% na semana seguinte, 2,68% entre 20 e 24 de julho e 1,49% entre 27 e 31 de julho.

Apesar da forte alta em uma semana, o preço do etanol ainda está abaixo dos níveis registrados no início de julho.

Na semana de 29 de junho a 3 de julho, o hidratado era negociado, em média, a R$ 2,2427 por litro. Ou seja, mesmo com a recuperação recente, a cotação de 10 a 14 de agosto ainda estava cerca de 2,2% abaixo daquele patamar.

Por isso, a alta pode ser interpretada inicialmente como uma reação do mercado após um período prolongado de pressão, uma vez que a colheita da cana-de-açúcar está atrasada em virtude do registro de chuvas em volume maior que o tradicionalmente verificado nesta época do ano. Não se trata, portanto, de uma trajetória sustentada de valorização.

Preço nos postos ainda não reagiram

A alta observada pelo Cepea ocorre no mercado de negociação entre usinas e compradores e não significa que o consumidor tenha encontrado o mesmo aumento imediatamente nos postos.

Há um intervalo entre a movimentação das cotações nas usinas e sua eventual transmissão para o varejo, além da influência de impostos, margens de distribuição e revenda e condições regionais.

Na prática, portanto, a recuperação registrada nesta semana ainda precisa ser acompanhada para saber se terá impacto relevante sobre o preço pago pelos consumidores.

Açúcar tem direcionado decisão das usinas

A dinâmica do mercado de etanol está diretamente relacionada às decisões das usinas sucroenergéticas entre produzir açúcar ou biocombustível.

Quando as condições de comercialização do açúcar são mais favoráveis, o que vem ocorrendo neste momento, uma vez que as cotações registraram alta de 9,22% em um mês, as unidades podem direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o adoçante, reduzindo a disponibilidade relativa de etanol. Esse equilíbrio entre os dois produtos ajuda a explicar movimentos nas cotações do biocombustível.

No curto prazo, o comportamento da oferta, o ritmo de moagem da cana e a demanda por combustíveis serão determinantes para saber se a recuperação observada em agosto terá continuidade.