EuroChem suspende contratos de 450 funcionários na Serra do Salitre

Empresa atribui a redução das atividades à crise global e aos impactos da guerra sobre a logística de transporte e o fornecimento de enxofre, disse sindicato

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
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Cerca de 450 funcionários da EuroChem em Serra do Salitre (MG) terão os contratos de trabalho suspensos a partir de outubro, em meio a dificuldades na obtenção de matéria-prima utilizada na produção de fertilizantes. 

Segundo o Sindicato Metabase de Minas Gerais, a empresa de controle russo iniciou o programa de layoff há uma semana. Procurada pela reportagem, a Eurochem não respondeu.

A EuroChem atribui a redução das atividades à crise global e aos impactos da guerra sobre a logística de transporte e o fornecimento de enxofre. A matéria-prima é necessária para a produção de ácido sulfúrico, utilizado na fabricação de fertilizantes.

De acordo com o vice-presidente do sindicato, Flávio Floriano, a previsão é que a EuroChem encaminhe até o fim desta semana a lista dos trabalhadores que serão incluídos no programa, disse, em entrevista à rádio Difusora, de Patrocínio (MG). 

A suspensão dos contratos deverá durar inicialmente três meses, com possibilidade de extensão para até cinco meses ou por período maior, conforme as condições previstas no acordo. A medida faz parte de um programa negociado entre a empresa e o sindicato, com o objetivo de evitar demissões em massa durante o período de redução das atividades.

A expectativa do Sindicato Metabase é que a operação seja retomada entre janeiro e fevereiro, caso o fornecimento de matéria-prima seja normalizado. A entidade, no entanto, reconhece que a suspensão dos contratos poderá ser prolongada, caso persistam os problemas logísticos de enxofre.

Segundo fontes, alguns desligamentos na unidade começaram em junho. As demissões poderiam chegar a 600 pessoas no total, acontecendo de forma gradual. 

Ainda segundo fontes, os estoques de enxofre da EuroChem garantem a manutenção das operações apenas até este mês de setembro. Sem uma solução para o abastecimento, a companhia reduz o ritmo de produção, mas ainda sem confirmação sobre uma paralisação total. 

A Eurochem comprou o complexo mineroindustrial da Serra do Salitre em 2022, da norueguesa Yara, por US$ 452 milhões. O investimento total de compra e conclusão de obras somou aproximadamente US$ 1 bilhão. O projeto foi feito para produzir 1 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano, e ainda está em fase de escalonamento da produção.

O cenário é semelhante ao enfrentado recentemente pela Mosaic, que decidiu hibernar e paralisar temporariamente unidades no Alto Paranaíba e no Triângulo Mineiro, também em razão das dificuldades no fornecimento da matéria-prima.