Exportação ao Golfo recua em abril; agro segue positivo no ano

Vendas aos países árabes da região caem 24,99% no mês, acumulam perdas de 0,67% sobre 2025, no entanto, agro ainda avança 1,97%

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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As exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, registraram o segundo recuo do ano com o conflito no Oriente Médio em abril. Apesar do menor volume após a queda de março, o agronegócio mantém embarques no positivo no acumulado anual.

Segundo um levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, com base em dados do Governo Federal, a guerra em curso no Oriente Médio e a Interrupção do Estreito de Ormuz tem impacto direto sobre as exportações nos últimos dois meses, mas o recuo é compensado pelo desempenho de outros produtos e novas alternativas de destino para países árabes.

As vendas de produtos agropecuários para o CCG ainda estão no positivas e acumulam alta de 1,97% ao ano, com receita de US$ 1,76 bilhão. Os dados, que incluem frango, açúcar, carne bovina, milho e café, mostram perdas em categorias importantes que foram, no entanto, contrabalançadas por avanços em outros produtos.

As exportações de frango acumulam queda de 5,98%, para US$ 791,19 milhões. Apesar disso, o Catar, que possui portos apenas no Golfo, ampliou as compras do produto em 13,82%, para US$ 70,29 milhões, recorrendo a portos sauditas no Mar Vermelho, ao transporte por caminhões e a aviões para manter o fluxo comercial.

As vendas de açúcar cresceram 28,74% entre janeiro e abril, para US$ 442,59 milhões, com os principais avanços registrados na Arábia Saudita, onde a alta foi de 46,35%, e em Omã, com embarques de açúcar brasileiro saltando 6.332,27% no período, mesmo com parte dos portos do país afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.

A carne bovina segue com desempenho positivo no quadrimestre, avançando 28,77%, para US$ 219,30 milhões, e crescimento em todos os mercados do CCG. Em abril, no entanto, os números mostram uma desaceleração dos embarques, com as receitas recuando 46,90% em relação a março, num claro sinal de reversão de tendência.

Após embarques praticamente inexistentes em março, o milho registrou recuperação em Abril. As vendas do grão somaram US$ 11,80 milhões no mês passado e acumulam um crescimento de 11,69%, totalizando US$ 73,01 milhões, com vendas impulsionadas sobretudo por negócios com o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos.

O café acumula alta de 58,50% no quadrimestre, com vendas de US$ 64,67 milhões. Os maiores aumentos foram vistos nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita e em Omã, em meio a um movimento que parece ter sido de recomposição de estoques.

Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, acredita nos diferenciais competitivos dos produtos brasileiros para a região. “Tudo depende do nível de estoque que importadores têm no destino final. A demanda pelo agro brasileiro é algo inelástica. Pela qualidade e especificação dos produtos não é simples substituir esse fluxo. Os preços vão subir e haverá , o que precisa-se fazer é melhorar as alternativas de rotas para que os produtos cheguem o mais rápido possível”, disse.

“Os exportadores encontraram soluções logísticas para colocar seus produtos na região, ainda que a custos maiores. E os mercados árabes, mesmo nessa situação, ainda geram receitas expressivas, especialmente nas categorias do agronegócio, das quais dependem para a segurança alimentar de suas populações”, afirmou.

Exportações brasileiras

Das exportações totais no mês de abril, as receitas recuaram 24,99%, para US$ 455,54 milhões, sobre abril do ano passado. No acumulado do ano houve queda de 0,67%, com total de US$ 2,82 bilhões.

De acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, apesar do recuo, os números indicam que a demanda no CCG ainda é relevante, mesmo com o aumento dos custos logísticos provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que elevou despesas com fretes e seguros, além de impor a necessidade de transbordos rodoviários e aéreos por milhares de quilômetros.