Exportação de café em abril tem volume estável e receita em queda

Brasil embarcou 0,6% mais sacas, mas faturamento caiu 17,7% por menores cotações internacionais em comparação com 2025

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
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As exportações brasileiras de café somaram 3,122 milhões de sacas de 60 quilos em abril, volume 0,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram embarcadas 3,105 milhões de sacas. Apesar da leve alta no volume, a receita cambial do setor caiu 17,7% no período, para US$ 1,109 bilhão. Os dados foram divulgados pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Segundo o presidente da entidade, Márcio Ferreira, o aumento nos embarques reflete a entrada de cafés da nova safra. Já a redução na receita está relacionada à queda das cotações internacionais do produto em comparação com 2025.

“Em abril, já foi possível observar a entrada de conilon e robusta colhidos neste ano, que se somam a alguns cafés remanescentes da colheita anterior. No tocante à queda da receita, ela se justifica pelo recuo observado nas cotações internacionais frente ao ano passado”,disse

No acumulado dos dez meses do ano-safra 2025/26, as exportações brasileiras alcançaram 32,247 milhões de sacas, volume 19,4% inferior ao registrado entre julho de 2024 e abril de 2025. A receita cambial no período, porém, apresentou alta de 0,8%, totalizando US$ 12,551 bilhões.

Acumulado do ano

Entre janeiro e abril de 2026, os embarques brasileiros de café totalizaram 11,619 milhões de sacas, queda de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita obtida com as exportações somou US$ 4,490 bilhões, recuo de 14,4% na comparação anual.

De acordo com Ferreira, o desempenho já era esperado devido à menor disponibilidade de cafés remanescentes da safra anterior, principalmente da variedade arábica. 

O dirigente destacou ainda que as exportações de robusta e conilon cresceram 374% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025, mas observou que essas variedades possuem valor por saca inferior ao arábica, o que reduz o impacto positivo sobre a receita total.

Variedades

O café arábica continuou liderando os embarques brasileiros entre janeiro e abril, com 8,984 milhões de sacas, o equivalente a 77,3% do total exportado. O segmento de café solúvel registrou 1,338 milhão de sacas embarcadas, enquanto os cafés canéforas, que incluem conilon e robusta, somaram 1,284 milhão de sacas.

Os chamados cafés diferenciados, categoria que inclui os certificados e especiais, responderam por 17,9% das exportações brasileiras no primeiro quadrimestre de 2026, com 2,076 milhões de sacas exportadas. A receita obtida com esse segmento alcançou US$ 919,888 milhões.

Fluxo global

A Alemanha permaneceu como principal destino do café brasileiro no primeiro quadrimestre, com a importação de 1,563 milhão de sacas, equivalente a 13,4% do total exportado pelo país no período. Os Estados Unidos aparecem em seguida, com 1,390 milhão de sacas. Itália, Bélgica e Japão completam a lista dos cinco principais compradores.

Entre os portos, o Porto de Santos concentrou a maior parte das exportações brasileiras de café no período, com 8,678 milhões de sacas embarcadas, o equivalente a 74,7% do total nacional. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 21,3% dos embarques, seguido pelo Porto de Paranaguá.