Exportações de carne bovina avançam e somam US$ 4,33 bi no 1º tri
Com mais de 40% das compras, China mantém liderança e concentra fluxo das exportações brasileiras, em meio a mudanças nos destinos e impacto da guerra no Oriente Médio

As exportações brasileiras de carne bovina somaram em receita de US$ 4,33 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com 801,9 mil toneladas enviadas, uma alta de 34,3% em valor e 18,4% em volume na comparação anual, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
Apesar do crescimento expressivo no acumulado do ano, o ritmo das exportações perdeu força na margem. Em março, os embarques somaram 270,8 mil toneladas, com avanço de 1,3% frente a fevereiro — uma desaceleração após o início de ano mais aquecido.
Na comparação anual, março ainda mantém desempenho robusto, com alta de 9,1% no volume e de 26% na receita, puxada por preços mais elevados e demanda internacional firme.
A carne in natura respondeu por 233,9 mil toneladas no mês, ou 86,4% do total exportado, e por US$ 1,36 bilhão, equivalente a 91,7% da receita. Já os miúdos somaram 21,4 mil toneladas, com participação de 7,9% no volume e US$ 47,3 milhões em receita.
Entre os destinos, a China manteve a liderança isolada, com 105,4 mil toneladas embarcadas em março — 38,9% do volume total — e US$ 603,1 milhões em receita, ou 40,7% do faturamento. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 38,1 mil toneladas e US$ 238,5 milhões, seguidos por Chile, União Europeia e México.
China concentra, mas fluxo para a Ásia muda
Ainda há forte concentração das exportações na China, principal destino da carne bovina brasileira. No acumulado do ano, o país asiático já absorveu mais de 335 mil toneladas, o equivalente a mais de 40% das vendas externas do Brasil.
A liderança chinesa nas compras ocorre em um momento de maior restrição comercial. O país passou a aplicar, desde 1º de janeiro, medidas de salvaguarda sobre a importação de carne bovina, com cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. O volume que exceder esse limite está sujeito a tarifa adicional de 55%.
Dependendo do critério de contabilização adotado pelas autoridades chinesas, parte relevante da cota já pode estar comprometida. Em um dos cenários considerados pelo mercado, cerca de dois terços do limite anual já estariam preenchidos, o que pode antecipar o esgotamento da cota para o meio do ano.
Esse movimento pode indicar uma reorganização do fluxo comercial para a Ásia. Mesmo com as salvaguardas, os exportadores brasileiros já passavam a considerar outros destinos e o relatório de março consolida o movimento.
Parte das exportações brasileiras começa a ser redirecionada para outros mercados asiáticos. Países como Hong Kong, Filipinas, Vietnã e Indonésia ampliaram compras no período, com altas expressivas mês a mês — caso da Indonésia, que saltou de volumes residuais para mais de 7,6 mil toneladas em março.
Miúdos ganham espaço e ampliam presença na Ásia
A diversificação também aparece no perfil dos produtos exportados. Enquanto a carne in natura segue dominante, os miúdos vêm ganhando participação e reforçando a inserção brasileira em mercados asiáticos.
Em março, os embarques do segmento cresceram 29,7% frente a fevereiro e 17,6% na comparação anual, somando 21,4 mil toneladas.
No acumulado do ano, os miúdos atingem 54,8 mil toneladas e mais de US$ 121 milhões em receita, com avanço de 10,1% em volume e de 18% em valor frente ao mesmo período de 2025.
A demanda da Ásia por maior diversidade de cortes amplia o aproveitamento da carcaça e reforça a estratégia do Brasil de diversificação da pauta exportadora.


