Exportações de fertilizantes chineses atinge menor nível em anos

Restrição pode fazer os preços dos insumos subirem em todo o mundo e aumentarem os custos no Brasil

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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Os embarques chineses de fertilizantes fosfatados atingiram o menor volume dos últimos 12 anos, em 2025. Segundo dados do relatório semanal de fertilizantes da StoneX, empresa global de serviços financeiros, a China vendeu, no último ano, 5,3 milhões de toneladas de fosfato monoamônico e fosfato diamônico, uma queda de 18% em relação a 2024 e o nível mais baixo desde 2013.

A diminuição da oferta chinesa acirra a disputa global por fosfatados, o que leva a diversificação de fontes por importadores. A tendência contribui para a sustentação de preços nos principais mercados produtores do insumo. 

Para o Brasil, o movimento pode ser um acirramento de demanda no mercado internacional e um aumento de preços geral. 

Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado, destacou a tendência estável de preços. “A redução da disponibilidade de cargas da China aperta o balanço global e dificulta movimentos de queda de preços, especialmente em períodos de maior demanda”, afirmou, em nota.

Países como Bangladesh, Brasil, Etiópia, Vietnã e Tailândia, que se consolidaram como os principais destinos dos fosfatados chineses, podem sentir os impactos imediatos com as mudanças de oferta global. Ainda assim, Pernías ressalta que o efeito não se limita apenas aos grandes compradores. “Mesmo países menos dependentes da China acabam sendo afetados indiretamente, já que o aperto na oferta eleva as cotações em diversos mercados”, explicou.

Em 2025, preços elevados já dificultaram o planejamento de compras e pressionaram as margens dos produtores. O cenário de custos mais elevados para fertilizantes de alta concentração como o fosfato monoamônico e fosfato diamônico estimula a compra de insumos alternativos como o superfosfato simples.

Impactos para o  Brasil

O mercado brasileiro não fica imune à retração dos insumos asiáticos, mas, além da China, os importadores brasileiros também contam com a Rússia e a Arábia Saudita, que representaram 44% e 25% das compras, respectivamente. 

A redução das vendas está ligada à política comercial chinesa, que restringe embarques em períodos de maior demanda interna ou recomposição de estoques. O país, tradicionalmente, prioriza o abastecimento do mercado doméstico. Para 2026, a expectativa é que a China mantenha as exportações de fosfatados limitadas durante parte do ano.

“Caso esse cenário se confirme, os compradores brasileiros devem seguir atentos às relações de troca e à diversificação de produtos, com maior uso de fertilizantes de menor concentração como estratégia para mitigar custos”, conclui Pernías.