Faep leva denúncia sobre falhas de energia ao MP; Copel se manifesta

Companhia destacou que entre 2019 e 2025 foram investidos R$ 16,6 bilhões. Para o período de 2026 a 2030, estão previstos cerca de R$ 18 bilhões em investimentos

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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O Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná)  protocolou nesta quinta-feira (2) representações junto ao MPPR (Ministério Público do Paraná) e ao MPTCU (Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União) pedindo investigação sobre a qualidade do serviço prestado pela Copel e sobre o reajuste de 20,51% na tarifa de energia elétrica, em vigor desde 24 de junho.

A entidade afirma que produtores rurais do Paraná acumulam prejuízos provocados por interrupções frequentes no fornecimento de energia, oscilações de tensão e demora no restabelecimento do serviço. Segundo a federação, além dos impactos na produção agropecuária, os consumidores passaram a pagar mais caro por um serviço considerado insuficiente.

Na representação encaminhada ao Ministério Público do Paraná, o pedido é para abertura de um inquérito civil que apure as falhas da concessionária. O documento solicita ainda que sejam apresentados dados técnicos sobre indicadores de qualidade do fornecimento de energia no Estado.

De acordo com o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, os problemas no abastecimento elétrico vêm sendo relatados há anos por produtores e sindicatos rurais.

"As quedas e oscilações interrompem a produção dentro da porteira e, como consequência, há mortes de animais, queima de equipamentos e prejuízos irreparáveis", afirmou.

Entre os casos citados pela entidade está o de um piscicultor de Tupãssi, no Oeste do Paraná, que registrou prejuízo estimado em R$ 9 milhões após a morte de aproximadamente 900 mil quilos de tilápia. Segundo a Faep, a perda ocorreu depois que oscilações na rede elétrica queimaram os aeradores responsáveis pela oxigenação dos viveiros.

Outro episódio ocorreu em São Miguel do Iguaçu, também no Oeste do Estado, onde a falta de energia comprometeu a climatização de um aviário e provocou a morte de cerca de 20 mil frangos, gerando prejuízo estimado em R$ 150 mil.

Além da investigação sobre a qualidade do serviço, o Sistema Faep pede que o Ministério Público junto ao TCU analise a revisão tarifária aprovada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que autorizou o aumento médio de 20,51% nas contas de energia dos consumidores atendidos pela Copel Distribuição.

Procurada pela CNN Brasil, a Copel destacou que é a concessionária de energia que atende 395 dos 399 municípios do Paraná. Regulada e fiscalizada pela Aneel, a companhia segue os parâmetros definidos para o setor elétrico brasileiro e realiza o maior ciclo de investimentos de sua história

Por meio de nota, a companhia do Estado ressaltou que a revisão tarifária é definida e aprovada pela Aneel , responsável por homologar os índices do setor elétrico nacional.

A Faep solicita a verificação de que os investimentos considerados na revisão tarifária são compatíveis com a qualidade do serviço prestado, especialmente nas áreas rurais.

Segundo a entidade, o agronegócio paranaense depende diretamente do fornecimento contínuo de energia para atividades como avicultura, piscicultura, produção de leite, armazenamento de grãos e funcionamento de sistemas automatizados de irrigação, ventilação, aquecimento, resfriamento e bombeamento de água.

A entidade também destaca que, ao longo deste ano, participou de audiências públicas promovidas pela Aneel e pelo Senado Federal para cobrar melhorias na distribuição de energia e contestar o percentual de reajuste aplicado.

Para Meneguette, a situação exige maior fiscalização dos órgãos competentes. "É preciso que exista responsabilização. Em 2025, a Copel registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões. Isso demonstra que o problema não está na falta de recursos, mas na ausência de investimentos direcionados ao campo", afirmou o presidente do Sistema FAEP.

Com relação aos investimentos, a companhia destacou que entre 2019 e 2025, foram investidos R$ 16,6 bilhões. Para o período de 2026 a 2030, estão previstos cerca de R$ 18 bilhões em investimentos.

Além disso, a Copel lançou o projeto de ampliação das usinas de Segredo e Foz do Areia, com aporte de R$ 5 bilhões, para ampliar a geração de energia limpa e renovável ao SIN (Sistema Interligado Nacional).