Em entrevista à CNN, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que a alta na taxa básica de juros, hoje em 15% ao ano, é “desproporcional” e dificultou a construção do Plano Safra 2025/2026.
“Foi um exercício de muita dedicação e esforço do governo para construir o terceiro Plano Safra recorde, diante dessa Selic de 15%. Não sou economista, mas na minha avaliação, está desproporcional a taxa de juros no Brasil. Afeta muito a formação do Plano Safra”, disse o ministro.
O governo anunciou, nesta terça-feira (1º), a modalidade empresarial do Plano Safra 2025/2026. O pacote apresentado neste ano soma R$ 516,2 bilhões em recursos destinados à agricultura empresarial, um acréscimo de R$ 8 bilhões em relação à safra anterior.
Embora o número seja maior que os R$ 508 milhões anunciados no Safra empresarial do ano passado, na prática, em valores reais – corrigidos pela inflação –, houve uma redução dos valores destinados ao Plano.
Com a alta na taxa básica de juros, o governo se viu obrigado a encarecer o custo do crédito para a safra atual. Na divulgação do Plano anterior, a Selic estava em 10,5% ao ano.
Os juros subiram até 2 pontos em relação à edição anterior.
Tensão entre poderes
Durante a entrevista, Fávaro – que, apesar de integrar o governo, é filiado ao PSD, partido do centrão – foi questionado sobre os recentes embates entre o Executivo e o Congresso, como a derrubada do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Ele afirmou esperar que o diálogo entre os Poderes seja retomado.
“Espero que possamos voltar a ter um diálogo profícuo e de alto nível entre os Poderes. Isso é fundamental, e o governo está sempre aberto para isso”, afirmou.
Publicado por Gabriel Garcia, da CNN, em Brasília


