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FPA critica decisão do governo sobre concessão de hidrovias no Tapajós

Frente defende revisão no decreto 12.600 e diz que invasão da Cargil reforça fragilidade da legislação brasileira na punibilidade de “invasões rurais”

Arthur Bambini, da CNN Brasil, Brasília
Pedro Lupion, presidente da FPA
Pedro Lupion, presidente da FPA  • Marina Ramos / Câmara dos Deputados
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O deputado federal e presidente da FPA (Frente Parlamentar Agropecuária), Pedro Lupion (republicanos), se posicionou contra a revogação da concessão de hidrovias do Tapajós anunciada na segunda-feira (23).

Em entrevista coletiva na sede da FPA nesta terça-feira (24), Lupion classificou como “vergonhosa” a decisão do Governo: “É lamentável, vergonhoso um governo se dobrar dessa maneira a uma invasão criminosa de uma propriedade como foi a invasão do porto lá no estado do Pará”.

A revogação do Decreto 12.600 ocorreu após a invasão de manifestantes indígenas no terminal privado da empresa Cargill na última sexta-feira (20). Esse decreto também prevê a concessão dos rios, Madeira e Tocantins.

Para o presidente da Frente Parlamentar, essa anulaçãoo abre precedente para movimentos de pressão social.

“Isso só demonstra para os movimentos criminosos e invasores que eles podem fazer isso, que o governo será conivente; abre um precedente completamente absurdo e extremamente complicado”, defende Lupion.

“A partir do momento que o governo dá uma demonstração como essa, ele dá uma demonstração de que a pressão e a baderna nesse governo funcionam, e que eles são coniventes com esse tipo de atitude”, complementa.

O deputado federal voltou a atacar a legislação brasileira em relação a proteção do produtor rural, ele destaca que esse episódio só reforça a fragilidade na lei.

“A legislação no Brasil ainda é muito falha, nós estamos avançando muito fortemente para mudar a legislação e deixar a punibilidade, ou seja, as penas mais eficazes para que o invasor tenha ciência de que ele não pode fazer isso”, afirma Lupion.