Frutas são mais negociadas na expectativa de acordo UE-Mercosul
Negócios da última edição do Exporta Mais Brasil Frutas ultrapassaram R$ 60 milhões, um aumento de 81% em relação à última edição

As negociações das frutas brasileiras superaram as projeções da segunda edição do Exporta Mais Brasil para Frutas Frescas, que reuniu 47 empresas brasileiras, durante a Fruit Attraction São Paulo, e movimentou US$ 11,2 milhões (R$ 60,4 milhões) durante 282 reuniões de negócios. O valor é 81% maior que a primeira edição do evento, que aconteceu ano passado em Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Este ano, a ação contou com 17 compradores internacionais de 16 países, que buscam o desenvolvimento de negócios impulsionados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, que entra em vigor a partir do dia 1º de maio.
A tendência é de continuidade no crescimento das exportações com o vigor do contrato. Os produtos terão alíquota regressiva ao longo dos anos. Caso destaque, a uva terá a alíquota zerada imediatamente com o acordo em que passa a valer.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados, a alíquota sobre o abacate passa a ser zero em quatro anos. Em sete anos, limões, limas, melão e melancia têm a alíquota zerada. Por fim, a maçã terá a alíquota zerada em até 10 anos.
Para Paula Simões, coordenadora de Agronegócios da ApexBrasil, a edição do Exporta Mais aconteceu em um momento propício para o produtor de frutas investir na "diversificação de mercados e na ampliação do acesso a compradores internacionais”, destacou.
A diversificação de embarques também se faz como objetivo para alcançar o potencial de crescimento intensificado pelo acordo UE-Mercosul, equidades tarifárias e produtividade complementar ao período entressafra do hemisfério norte.
“Estudamos as melhores formas de abrir novos mercados já há alguns anos. Abrimos o mercado de uva para a China, citros para a Índia e seguimos com missões especiais com esse objetivo. São mercados em que já trabalhamos, mas buscamos novos destinos, independentemente da movimentação causada pelo tarifaço”, disse à CNN Brasil.
Promovida pela ApexBrasil, a iniciativa foi realizada em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Sebrae.
O modelo do Exporta Mais Brasil, quer conectar empresas nacionais a compradores estratégicos, o que amplia o acesso a novos mercados e contribui para a diversificação e qualificação da pauta exportadora do agronegócio brasileiro.
Setor de frutas
Em 2025, as vendas de frutas brasileiras ao exterior foram recorde e alcançaram a marca de US$ 1,45 bilhão, com alta de 12% em valor e 19,6% em volume em relação a 2024.
Para a Europa, exportações de manga, melão, limão, melancia, uva e mamão cresceram 12,8% em valor e 19,1% em volume em 2025. Na soma, embarques para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, em relação a 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Indústria.
Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão somaram US$ 967 milhões em receita no ano passado, ante US$ 857,6 milhões em 2024. Para a Europa, o Brasil exportou 949 mil toneladas em 2025, uma alta em relação a 2024, quando os embarques somaram 796,6 mil toneladas.
A Apex Brasil estima que o faturamento da fruticultura cresça 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o país exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, gerando receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.



