Girassol Agrícola projeta R$ 900 milhões com eucalipto
Uma das maiores sementeiras do país quer ampliar área para 14 mil hectares em cinco anos e vê nas usinas de biocombustível uma nova fronteira de demanda por biomassa

A expansão das usinas de etanol de milho em Mato Grosso está criando uma nova frente de negócios no campo: as florestas plantadas para produção de biomassa.
A Girassol Agrícola, uma das principais sementeiras do país, projeta faturar R$ 900 milhões até 2031 com a produção de eucalipto destinada ao abastecimento das caldeiras das biorrefinarias de milho.
A empresa já soma 10,5 mil hectares de eucalipto cultivados em Mato Grosso, formando uma das maiores florestas individuais do estado.
A estratégia começou há 18 anos, antes mesmo da chegada das usinas de etanol de milho à região. Os primeiros plantios foram feitos em áreas de Jaciara e Alto Araguaia, com o objetivo inicial de recuperar terrenos degradados ou arenosos, considerados menos adequados para a agricultura.
Com a expansão do setor de biocombustíveis, essas áreas ganharam uma nova função econômica.
“Quando o projeto teve início, o uso do eucalipto como fonte de energia ainda era limitado por aqui. O avanço das usinas de etanol de milho nos últimos anos mudou esse cenário, ampliando de forma significativa a demanda por madeira para abastecimento de caldeiras”, afirma Gilmar Meneghini, CEO da Girassol Agrícola.
Nova fronteira de demanda
A empresa fornece atualmente cerca de 1 milhão de metros cúbicos de cavaco de madeira por ano às usinas de biocombustível. O negócio já representa aproximadamente 7% do faturamento do grupo.
Agora, a companhia quer ampliar a área plantada para 14 mil hectares nos próximos cinco anos.
“O eucalipto deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma cultura estratégica dentro do nosso portfólio de negócios”, diz Meneghini.
Segundo o executivo, o avanço esperado da produção de etanol de milho em Mato Grosso deve ampliar ainda mais a necessidade por biomassa.
Cada planta de etanol demanda entre 20 mil a 30 mil hectares de floresta. Com a expectativa de o estado chegar a uma produção de 5 bilhões de litros de etanol nos próximos três anos, abre-se uma demanda enorme para o setor.
A expansão das florestas plantadas também entrou no radar do governo estadual. No fim de março, Mato Grosso lançou o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa, com a meta de ampliar a área de florestas plantadas para 700 mil hectares até 2040.
Investimento de R$ 100 milhões
A aposta da Girassol Agrícola exigiu investimentos de aproximadamente R$ 100 milhões ao longo do desenvolvimento do projeto.
Os recursos foram destinados à abertura das áreas, produção e compra de mudas, implantação da cultura, colheita mecanizada e formação de equipes.
Além do potencial econômico, a estratégia permite transformar áreas degradadas, arenosas ou pastagens subutilizadas em ativos produtivos.
A decisão de investir no negócio surgiu de uma visão do fundador da companhia, o gaúcho Gilberto Goellner, que deixou o Rio Grande do Sul para desenvolver suas atividades no Cerrado.
Produtor rural, Goellner construiu em Mato Grosso uma das maiores sementeiras do país, com atuação na produção e comercialização de sementes de soja, milho e algodão.
Na época dos primeiros investimentos em eucalipto, a produção tinha como destino principalmente indústrias de óleo de soja. O objetivo inicial era encontrar uma atividade economicamente viável para áreas com menor aptidão agrícola.
Quase duas décadas depois, a expansão do etanol de milho transformou e continuará transformando o cenário na região. A estimativa da Conab, Companhia Nacional de Abastecimento é de que na safra 2026/27 a produção alcance 11,91 bilhões de litros, um acréscimo de aproximadamente 1,74 bilhão de litros em um ano