Grande safra de cana levará usinas brasileiras da produção máxima de etanol

Por Marcelo Teixeira, da Reuters
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As usinas de cana-de-açúcar brasileiras terão que ajustar suas estratégias de ​produção em breve e provavelmente produzirão mais açúcar ​do que o planejado inicialmente, devido a uma safra maior do que a esperada, de acordo com um executivo da Tereos, uma das principais empresas do setor.

As usinas no Brasil, o maior produtor de açúcar do mundo e o segundo maior fabricante de etanol, estavam planejando alocar mais cana para a produção do combustível este ano, já que a demanda ⁠pelo biocombustível parecia promissora e os ​preços eram melhores do que os do açúcar.

No início da safra, em ​abril, as usinas usaram 67% da cana para produzir etanol e apenas 33% para fazer ⁠açúcar, uma situação que os especialistas chamam ⁠de "etanol máximo" no mix de produção das usinas.

As usinas têm certa flexibilidade ​para ‌produzir mais etanol ou açúcar, dependendo dos preços de mercado.

No entanto, uma safra maior ⁠do que a esperada significa que as usinas precisam esmagar o máximo de cana possível e usar totalmente as partes das fábricas de etanol e açúcar.

Para produzir mais etanol do que açúcar, ‌uma ⁠usina geralmente usa toda ‌a parte de etanol da planta e não toda a parte de açúcar.

"Os volumes de cana são maiores do que esperávamos. Projetamos um aumento de 12% na safra deste ano, ⁠mas é maior do que isso", disse Gustavo ⁠Segantini, vice-presidente de vendas e logística do braço brasileiro do grupo francês de açúcar Tereos.

"Iniciamos a safra com ‌o máximo de etanol, mas estamos mudando para o máximo processamento", disse ele.

Se a maioria das usinas mudar para o esmagamento máximo de cana, o "mix" será mais equilibrado, o que significa menos etanol e mais açúcar do que o esperado.

A maioria dos analistas agora ‌espera que a safra brasileira de cana-de-açúcar do centro-sul (CS) fique em torno de 645 milhões de toneladas, ante cerca de 630 milhões de toneladas no início do ano.

Segantini ⁠disse à Reuters, à margem de um evento na New York Sugar Week, que os preços do etanol no Brasil caíram muito rapidamente no início da safra, de modo que as ​usinas também poderiam rever seus planos.

Ele acrescentou que a anomalia climática do El Niño pode ​trazer mais chuvas para o centro-sul do Brasil no segundo semestre do ano, de modo que as usinas desejariam acelerar o processamento de qualquer maneira para poder esmagar toda a cana disponível.

(Reportagem de Marcelo Teixeira)