GTF aposta em exportações e produtos de maior valor agregado
Empresa busca elevar participação das exportações para 40% e aposta em cortes desossados, produtos práticos e fidelização de clientes

A GTF, dona da marca Canção Alimentos, pretende ampliar a participação das exportações no faturamento da companhia, mesmo em um cenário de margens mais apertadas para a avicultura.
Durante o Siavs (Salão Internacional de Proteína Animal), o CEO da empresa, Rafael Tortola, afirmou que a estratégia passa por aumentar o mix de produtos embarcados, agregar valor aos cortes e fortalecer o relacionamento com clientes internacionais.
Atualmente, cerca de 65% da produção da empresa é destinada ao mercado interno e 35% às exportações. A meta é elevar essa fatia para 40% no próximo ano.
Segundo Tortola, a prioridade não é apenas conquistar novos mercados, mas ampliar a presença nos países onde a empresa já atua.
"Nossa ideia é continuar atendendo os mercados onde já estamos consolidados e incrementar o mix de produtos. Estamos trabalhando cada vez mais com cortes desossados, que agregam valor e atendem à demanda de diferentes mercados", afirmou.
O executivo explicou que produtos como coxa e sobrecoxa desossadas, tradicionalmente exportados para Japão e Coreia do Sul, vêm ganhando espaço em outros destinos, permitindo ampliar o portfólio oferecido aos clientes.
A estratégia da companhia também prioriza contratos de longo prazo em vez de operações pontuais.
"O que buscamos é fidelizar clientes. Mantemos um fornecimento constante ao longo do ano, independentemente das oscilações de preço entre os mercados. Esse trabalho fortalece a marca e permite capturar maior valor pelos produtos", disse.
No mercado doméstico, a GTF também aposta em produtos com maior conveniência. Nos últimos dois anos, a empresa ampliou a oferta de produtos congelados individualmente (IQF) e reforçou a linha de empanados desenvolvidos para preparo em air fryer.
Segundo Tortola, o movimento acompanha mudanças no perfil das famílias brasileiras, que buscam praticidade sem abrir mão da qualidade.
Cenário desafiador
Apesar das perspectivas positivas para as exportações brasileiras, o CEO avalia que 2026 tem sido um ano mais desafiador para a avicultura.
"O Brasil deve registrar recorde de produção e de exportação, mas as margens ficaram mais apertadas", afirmou.
Entre os fatores que pressionaram a rentabilidade estão o aumento dos custos logísticos provocado pelos conflitos no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Hormuz, além da alta do diesel e das embalagens.
Segundo Tortola, o frete marítimo chegou a subir cerca de US$ 400 por tonelada em alguns embarques destinados aos Emirados Árabes Unidos, principal mercado da empresa no ano passado. Parte desse aumento foi repassada aos clientes, mas não foi suficiente para compensar a elevação dos custos.
Investimentos mais seletivos
Mesmo com o crescimento da produção nacional, a GTF prevê um ritmo mais moderado de investimentos nos próximos anos.
De acordo com o executivo, os juros elevados, o aumento do custo do capital de giro e as incertezas do cenário econômico tendem a reduzir novos projetos de expansão.
"Não vejo redução da produção, mas uma diminuição dos novos investimentos. As empresas devem manter a capacidade atual e continuar buscando novos mercados, porém com mais cautela", afirmou.
Para Tortola, a avicultura continuará crescendo no longo prazo, sustentada pela competitividade da carne de frango e pela demanda internacional, mas o foco das empresas será elevar eficiência e agregar valor aos produtos, em vez de expandir rapidamente a capacidade instalada.
https://www.cnnbrasil.com.br/agro/mercado-de-leite-no-brasil-recuperacao-gradual-de-precos-em-2026/


