Guerra pode reverter cenário comportado de inflação de alimentos

A avaliação é da Polo Capital; segundo a gestora, apesar desse cenário benigno, a avaliação é que o quadro pode mudar

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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O resultado do IPCA-15 de março reforça o papel da agropecuária como vetor de alívio da inflação no Brasil, mas acende um alerta para os próximos meses diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
Segundo análise de Arnaldo Lima, líder da área de relações institucionais da Polo Capital, o comportamento recente dos preços ao consumidor ainda reflete um ambiente favorável no campo, marcado por boa oferta e ganhos de produtividade.
O forte desempenho da agropecuária em 2025 ajudou a conter a inflação, especialmente no grupo de alimentação no domicílio. Esse movimento também aparece nos preços no atacado, com destaque para o desempenho do IPA-DI agropecuário, impulsionado por safras robustas e maior eficiência produtiva.
Como resultado, o repasse ao consumidor final foi limitado, mantendo a inflação de alimentos relativamente baixa — com alta de 1,8% em 12 meses até fevereiro — e contribuindo para um IPCA cheio mais moderado, em 3,8%.
Apesar desse cenário benigno, a avaliação é que o quadro pode mudar. A intensificação da guerra no Oriente Médio já começa a pressionar os combustíveis, com impacto direto nos índices de inflação. No IPCA-15 de março, o diesel subiu 3,8%, refletindo a alta do petróleo no mercado internacional.
De acordo com o analista, o encarecimento dos combustíveis representa um choque negativo de oferta, com potencial de interromper o processo de desinflação dos alimentos. Isso porque o diesel é um insumo central para o transporte e a operação da cadeia agropecuária.
Além do efeito direto sobre o frete, há impactos indiretos relevantes. A alta do petróleo e do gás natural tende a elevar o custo de fertilizantes — majoritariamente importados — e estimular a demanda por biocombustíveis, pressionando os preços agrícolas no atacado.
Na avaliação da Polo, caso o conflito se prolongue, a inflação de alimentos pode deixar de ser um fator de alívio e voltar a pressionar o IPCA nos próximos meses, especialmente diante da alta dos custos logísticos e dos insumos no campo.