Índia pode importar açúcar após quase uma década

Medida visa reforçar o abastecimento e conter os preços recordes durante a temporada de festivais no país

Por Mayank Bhardwaj e Rajendra Jadhav, da Reuters
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A Índia está considerando medidas para reforçar o abastecimento de açúcar e conter ​os preços recordes, como importações isentas de impostos em quantidade limitada ​e restrições ao volume de estoques mantidos por comerciantes atacadistas, o que poderia permitir a entrada de remessas do exterior pela primeira vez em quase uma década.

As importações da Índia, maior consumidora mundial de açúcar, poderiam sustentar os preços de referência em Londres e Nova York , ao mesmo tempo em que ajudariam Nova Délhi a conter os preços internos durante a temporada de festivais, de agosto a novembro, quando a demanda aumenta.

“Como houve um aumento totalmente injustificado nos preços, ⁠teremos que tomar medidas para controlá-los, e estamos ​considerando toda uma série de medidas e ferramentas”, disse uma fonte do governo que falou sob ​condição de anonimato, citando regras oficiais.

As medidas em discussão incluem a redução dos estoques, a permissão de importações limitadas, ⁠a redução de tarifas de importação e o ajuste ⁠das cotas mensais de açúcar para vendas no mercado interno pelas usinas, disse ele.

Os preços ​do ‌açúcar no atacado em Kolhapur, um importante centro comercial no Estado de Maharashtra, no oeste do país, subiram quase um ⁠quinto desde o início de agosto, atingindo o recorde de 5.350 rúpias (US$56) por 100 kg.

O aumento ocorre apesar de haver estoques suficientes para atender à demanda doméstica até que as safras da próxima temporada comecem a chegar ao mercado, disse uma ‌segunda ⁠fonte do governo.

“A oferta ‌local está escassa. Somente as importações podem ajudar a aumentar a oferta e reduzir os preços durante a temporada de festas”, disse Ashok Jain, presidente da Associação de Comerciantes de Açúcar de Bombay.

A ⁠demanda por açúcar na Índia costuma aumentar de agosto a novembro, ⁠quando ocorrem grandes festivais como o Ganesh Chaturthi, o Dussehra e o Diwali, períodos em que o consumo de doces e confeitos tradicionais cresce.

Na ‌semana passada, a Reuters informou que a Índia estava considerando reduzir a quantidade de cana-de-açúcar utilizada na produção de etanol na safra que começa em outubro, a fim de impulsionar a produção de açúcar e conter os preços elevados.

O governo poderia solicitar às usinas que importassem 1 milhão de toneladas de açúcar isento de impostos antes do ‌final de outubro, já que os suprimentos da nova safra começam a chegar em novembro, quando a moagem da cana ganha ritmo, disse um corretor de uma trading global com sede em Mumbai, que preferiu não se ⁠identificar por não estar autorizado a falar com a imprensa.

“As usinas tentarão importar apenas açúcar bruto, já que os preços do açúcar branco estão muito altos e quase não há margem de lucro na importação desse produto”, disse o corretor.

A ​Índia possui algumas refinarias de açúcar localizadas em portos que têm permissão para importar açúcar bruto isento de impostos, desde ​que exportem um volume equivalente de açúcar refinado.

O governo também poderia solicitar que essas refinarias desviem parte de seus estoques para o mercado interno, o que poderia liberar cerca de 300 mil toneladas de açúcar localmente, disse um corretor de Nova Délhi, que também falou sob condição de anonimato.