Indústria de café vê derrubada do tarifaço como "segurança comercial"

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) defende transparência regulatória para assegurar o fornecimento do grão e o investimento na cadeia cafeeira

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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A indústria de café brasileira se mostrou otimista com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de retirar as tarifas, o que favorecerá a cadeia do grão. Em nota divulgada nesta sexta-feira (20/2), a  Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) destacou que o posicionamento do órgão norte-americano reforça a "segurança jurídica e o respeito às competências legais nas relações comerciais internacionais".

Segundo a entidade, a transparência regulatória é fundamental para setores, como o café, que dependem de fluxos comerciais consolidados a fim de garantir o fornecimento de matéria-prima e investimentos que projetam o consumidor final.

“O setor do café é global e altamente integrado. Previsibilidade, isonomia e regras claras são fundamentais para garantir estabilidade, investimentos e proteção ao consumidor. Medidas unilaterais geram incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva”, afirmou o presidente da Abic, Pavel Cardoso.

No comunicado, a Associação ressalta que medidas unilaterais tendem a gerar incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva, afetando produtores, indústrias e mercados consumidores.

"A isonomia nas relações comerciais é condição essencial para assegurar competitividade e equilíbrio no comércio exterior", destacou o texto da entidade, que defende livre comércio, diálogo entre nações e "parcerias equilibradas que promovam crescimento econômico e social" para beneficiar produtores, indústrias e consumidores.

Café solúvel, setor taxado

No complexo cafeeiro, o tarifaço de 50% (40% mais sobretaxa de 10%) permaneceu apenas sobre o café solúvel. Em 2025, as exportações brasileiras do produto aos Estados Unidos recuaram 28,2%, totalizando 558,7 mil sacas, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

Em janeiro de 2026, os embarques de solúvel aos EUA caíram 13,7%, para 41,2 mil sacas. Já as vendas de café verde — que também foram afetadas por medidas tarifárias — registraram queda ainda mais acentuada no mesmo mês, com recuo de 46,7%, para 385,8 mil sacas.

O tarifaço influenciou o total exportado do Brasil para os EUA, em especial entre agosto e novembro - período de vigência das tarifas sobre o café verde, quando os embarques ao mercado americano despencaram 55%. Ao longo de 2025, os americanos compraram 5,38 milhões de sacas de café brasileiro, volume 33,9% inferior ao de 2024. Com a retração, a Alemanha assumiu o primeiro lugar entre os destinos de café brasileiro, passando os EUA.