JBS NV abandona meta net-zero de emissões de carbono
Novo relatório de sustentabilidade da empresa exclui o compromisso de 2021 que abrangia as emissões de escopo 3

A JBS NV retirou de sua estratégia climática a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2040 para toda a cadeia de valor, deixando de estabelecer um objetivo absoluto para as emissões de Escopo 3, que representam a maior parte de sua pegada de carbono. A mudança consta do relatório de sustentabilidade de 2025, divulgado nesta quarta-feira (8), e substitui o compromisso anunciado pela companhia em 2021.
No documento, a empresa afirma que passará a concentrar suas metas em emissões "que controla diretamente", mantendo objetivos com prazo definido para os Escopos 1 e 2, referentes às operações próprias e ao consumo de energia.
"Apoiamos a transparência e um impacto mensurável na redução das emissões que controlamos diretamente (Escopo 1 e Escopo 2), com metas definidas no tempo, indicadores-chave de desempenho (KPIs) operacionais e auditorias independentes de asseguração" , diz o relatório.
Em relação ao Escopo 3, que inclui as emissões indiretas da cadeia de suprimentos, entre elas as associadas ao gado adquirido pela companhia e à produção de ração, a JBS afirma que pretende priorizar ganhos de eficiência entre seus fornecedores.
"Ao priorizar a eficiência produtiva de nossos fornecedores, podemos fortalecer o sucesso dos produtores e a resiliência da cadeia de suprimentos, ao mesmo tempo em que reduzimos a intensidade das emissões de Escopo 3." , afirma o texto. Na prática, a empresa deixa de perseguir uma meta absoluta para essas emissões e passa a focar na redução de sua intensidade.
"Em 2021, a JBS anunciou a ambição de alcançar emissões líquidas zero até 2040 para sinalizar urgência e estimular a colaboração em todo o sistema alimentar. Essa ambição refletia a convicção sincera de que a agricultura deve fazer parte da solução para a mudança do clima. Essa convicção não mudou. O que mudou foi o nível de rigor que as partes interessadas passaram a exigir das metas corporativas de sustentabilidade", disse o diretor global de sustentabilidade da JBS, Jason Weller, em artigo publicado pela companhia.
"À medida que avançamos na implementação, ficou cada vez mais claro que uma meta de emissões líquidas zero abrangendo centenas de milhares de produtores rurais independentes, distribuídos por dezenas de milhões de hectares em dezenas de países — cada um com práticas diferentes, pontos de partida distintos e sem uma infraestrutura padronizada de mensuração — representa um enorme desafio. Cumprir uma ambição sistêmica nessa escala depende de dados, adesão dos produtores, tecnologia e infraestrutura de medição que ainda estão em desenvolvimento na agricultura global", acrescentou.
Segundo Weller, a companhia está "refinando e concentrando" suas metas naquilo que consegue controlar e medir diretamente, "afastando-se de grandes ambições amplas".
A empresa manteve a meta já anunciada de reduzir em 30% a intensidade das emissões dos Escopos 1 e 2 até 2030, na comparação com a linha de base de 2019. O relatório também estabelece um novo objetivo de reduzir essas emissões em 70% nas unidades de processamento até 2050.
De acordo com o documento, as emissões dos Escopos 1 e 2 representaram pouco menos de 4% das emissões totais da JBS em 2025. Os cerca de 96% restantes corresponderam ao Escopo 3, sendo quase toda essa parcela relacionada ao gado processado pela empresa e à produção de ração. A categoria de "bens e serviços adquiridos", porém, não inclui emissões decorrentes de mudanças no uso da terra ou desmatamento.
A JBS também retirou de sua estratégia a meta de investir US$ 100 milhões em pesquisa e desenvolvimento voltados à redução das emissões de Escopo 3. Segundo Weller, esses recursos estarão incorporados às operações da empresa, por meio de programas diretos, incluindo uma iniciativa no Brasil voltada a apoiar pequenos produtores no cumprimento da legislação ambiental e na adoção de práticas de produção regenerativa.

