Kepler Weber encerra 2º trimestre com queda de 56,25% no lucro líquido

Entre abril e junho deste ano, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 6,3 milhões

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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Com receita menor, custos elevados e margens em baixa histórica, os resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 na Kepler Weber repetem o movimento de queda do mesmo período de 2025. Entre abril e junho deste ano, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 6,3 milhões, recuo de 56,25% em relação aos R$ 14,4 milhões apurados no mesmo período do ano passado.

A fabricante de equipamentos para armazenagem acumulou mais um trimestre seguido de retração nos principais indicadores financeiros, resultado decorrente do segmento de Fazendas, com agricultor encurralado pelo cenário monetário restritivo e, por isso, evitando investimentos.

No acumulado de 2026, o lucro líquido atingiu R$ 23,4 milhões.

A receita líquida somou R$ 299,1 milhões entre abril e junho, queda de 3,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. No acumulado do primeiro semestre, a receita alcançou R$ 617,1 milhões, recuo de 7,7% na comparação anual.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou em R$ 25,9 milhões no segundo trimestre, uma redução de 31,7% frente aos R$ 37,9 milhões registrados no mesmo período de 2025. A margem Ebitda ficou em 8,7%.

O déficit de armazenagem é um fator setorial relevante que influenciou os resultados da companhia entre abril e junho deste ano, influenciando a demanda. Por outro lado, a industrialização do agronegócio ajuda a atenuar efeitos negativos da taxa de juro e do aperto das margens.

De acordo com a Kepler, contratos firmados com companhias como São Martinho, Be8 e Soli3 refletiram na oferta de projetos robustos da armazenagem.

Os exemplos mostram um desempenho desigual dos cinco segmentos de negócio que a companhia atua, com números positivos em apenas dois deles: agroindústrias e reposição e serviços, cuja fatia também é menor dentro da Kepler.

A divisão de Agroindústrias apresentou o principal avanço, com receita de R$ 126,5 milhões, crescimento de 17,9% sobre o segundo trimestre de 2025.

A performance do segmento foi melhor em função de investimentos de cooperativas, tradings e indústrias de processamento, especialmente em projetos ligados a alimentos, rações e biocombustíveis.

Durante o trimestre, a companhia registrou aproximadamente R$169,7 milhões em novos contratos no segmento, abrangendo soluções de armazenagem, beneficiamento e processamento de grãos.

Já a receita de Fazendas caiu 13,2%, para R$ 83,1 milhões. O resultado refletiu as condições mais restritivas de crédito, os juros elevados e a pressão sobre as margens do produtor.

Durante o segundo trimestre, a Companhia registrou aproximadamente R$ 74,5 milhões em novos contratos no segmento, com destaque para os Estados do Mato Grosso, Bahia e Goiás.

A área de Reposição e Serviços, a receita cresceu 5%, para R$ 65,6 milhões. Na outra ponta, Negócios Internacionais registrou queda de 46,3%, para R$ 16,6 milhões, enquanto Portos e Terminais teve retração de 50,1%, para R$ 7,3 milhões.

A companhia aponta especialmente a pressão sobre a rentabilidade do produtor de soja. Dados apresentados pela empresa indicam margens líquidas estimadas em 3,3% em 2026, depois de 5,4% em 2025 e 9,4% em 2024, em um ambiente de custos elevados.

Apesar da redução dos indicadores de rentabilidade, a Kepler Weber encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 29,3 milhões e saldo bruto de disponibilidades de R$ 354,2 milhões. A empresa atribui o desempenho à geração de caixa e à disciplina na alocação de capital.

Os investimentos também diminuíram. O Capex foi de R$ 11,8 milhões no segundo trimestre, queda de 43% frente aos R$ 20,8 milhões do mesmo período de 2025. No primeiro semestre, foram investidos R$ 27,1 milhões, 28,7% abaixo dos R$ 38 milhões registrados um ano antes.

A Kepler Weber ainda informou R$ 272 milhões em novos pedidos referentes a 35 obras consideradas estratégicas no período.

Desse total, R$ 169,7 milhões correspondem a vendas ligadas a Agroindústrias, R$ 74,5 milhões a Fazendas, R$ 24,9 milhões a Negócios Internacionais e R$ 2,9 milhões a Portos e Terminais.

A companhia ressalta que parte dessas obras tem execução prevista ao longo dos próximos 12 meses e que os valores não representam guidance de receita futura.

“O avanço de Agroindústrias e a retomada de Reposição e Serviços ajudaram a equilibrar a menor demanda de Fazendas, enquanto a manutenção de uma posição de caixa líquido preserva nossa capacidade de executar a estratégia com disciplina”, informa a diretoria da Kepler Weber.

A estratégia da companhia continuará na diversificação de negócios e no controle de gastos, o que teria amenizado outras perdas no segundo trimestre, como aponta a diretoria da Kepler em nota divulgada ao mercado.

“Entre 2021 e 2026, as receitas de diversificação cresceram 90,6%, ampliando sua participação na Receita Líquida de 26% para 40% e reforçando seu papel como um dos principais vetores de resiliência da companhia”, descreveu a empresa.