Maior plantação urbana de café do mundo recebe mudas

São Paulo amplia estudo de resistência a mudanças climáticas e pragas com 1.500 novas plantas no instituto biológico

Por Oliver Griffin e Lais Morais, da Reuters
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A maior plantação urbana de café do ​mundo, localizada na cidade de São Paulo, ​recebeu esta semana cerca de 1.500 novas mudas de café, enquanto os pesquisadores se preparam para estudar sua capacidade de resistir às mudanças climáticas e às pragas.

O Instituto Biológico de São Paulo foi fundado em 1927 com a missão de enfrentar uma crise causada por pragas como a broca do café, que devora ⁠os grãos escondidos nas cerejas ​do fruto.

O Brasil é o maior produtor mundial de café ​arábica, bem como o segundo maior produtor de cafés canéfora, que incluem variedades ⁠como robusta e conilon.

A plantação no bairro ⁠da Vila Mariana, em São Paulo, que já contava com ​mais ‌de 2.000 pés de café, recebeu nesta semana variedades de arábica consideradas ⁠resistentes a pragas e à ferrugem do café, um tipo de fungo, além de outras plantas mais tolerantes a condições de seca.

"O Instituto Biológico foi criado para controlar ‌a ⁠broca (que) foi controlada ‌usando parasitóides, um método de controle biológico", disse a pesquisadora do instituto e engenheira agrícola Harumi Hojo à Reuters na quinta-feira.

Em sua mão, Hojo segurava duas cerejas ⁠de café, mostrando a diferença entre uma ⁠fruta saudável e outra podre por dentro depois de ser devorada pela broca.

Com o passar dos ‌anos, o instituto começou a investigar outros fatores que afetam as plantas de café, como solo e clima, e agora sua gama de variedades cultivadas lado a lado sob as mesmas condições mostra como diferentes plantas lidam com ‌pragas, doenças e pressões climáticas, disse Hojo.

As plantas de café arábica também são sensíveis ao clima mais quente e seco causado pela mudança climática, e ⁠300 das novas mudas são tolerantes ao déficit de água.

Agora, a pesquisa produziu variedades de café resistentes a secas, disse Hojo, acrescentando que, no futuro, seria ​valioso ter plantas que demandem menos irrigação, que possam ser irrigadas com água captada ​da chuva, em vez de fontes de água subterrânea que podem ser escassas.

"Sabemos que as mudanças climáticas e a disponibilidade de água serão problemas para o nosso futuro", disse Hojo.