Milho sobe 4,40% em Chicago após realtório de oferta e demanda do USDA

Mercado também acompanhou o aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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O contrato futuro do milho com vencimento em dezembro encerrou a sessão desta quarta-feira (12) com alta de 4,40% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,80 por bushel.

Segundo a Granar, os preços fecharam em forte alta influenciados principalmente pela redução das projeções para os estoques de milho dos Estados Unidos divulgada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no relatório mensal de oferta e demanda.

A estimativa para os estoques finais da safra 2025/26 caiu de 51,31 milhões para 49,40 milhões de toneladas. A projeção ficou abaixo dos 50,78 milhões de toneladas esperados por analistas do setor privado.

A revisão ocorreu após o USDA elevar a previsão para as exportações norte-americanas. O volume projetado para a safra 2025/26 passou de 84,46 milhões para 86,36 milhões de toneladas, novo recorde histórico.

Para a safra 2026/27, o USDA manteve praticamente estável a estimativa de produção, que passou de 406,42 milhões para 406,75 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, a projeção de exportações aumentou de 81,28 milhões para 83,19 milhões de toneladas.

Com o aumento dos embarques, a estimativa para os estoques finais de 2026/27 caiu de 45,46 milhões para 41,98 milhões de toneladas, uma redução de 7,66%. O volume também ficou abaixo dos 43,82 milhões de toneladas projetados por analistas.

Além dos fundamentos de oferta e demanda, o mercado também acompanhou o aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia.

Segundo a Granar, um dos principais fatores de preocupação foi o ataque realizado por forças ucranianas contra um importante porto russo no Mar Negro. A possibilidade de novos ataques e de uma resposta do Kremlin pode aumentar os riscos sobre a infraestrutura de exportação de grãos na região.

A Ucrânia é o maior fornecedor de milho da União Europeia e o quarto maior exportador mundial do cereal, o que amplia a atenção do mercado para possíveis impactos sobre o fluxo internacional da commodity.

Soja

O contrato futuro da soja com vencimento em novembro encerrou o dia com alta de 1,24% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 11,83 por bushel.

Segundo a Granar, os contratos futuros da soja acompanharam as fortes altas registradas pelo trigo e pelo milho. O mercado também manteve o otimismo em relação ao ritmo de compras chinesas de soja norte-americana.

A expectativa de uma visita do presidente da China, Xi Jinping, a Washington no próximo mês, onde deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuiu para o sentimento positivo.

Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou uma nova venda de 244 mil toneladas de soja norte-americana para a China, referente à safra 2026/27.

Apesar da alta dos preços, os números apresentados pelo USDA para a nova safra tiveram viés baixista. A agência elevou a projeção para a produção de soja dos Estados Unidos para um recorde de 122,99 milhões de toneladas.

A estimativa supera os 121,79 milhões de toneladas projetados no relatório de julho e também ficou acima da média de 121,71 milhões de toneladas esperada por analistas do setor privado.

Para chegar à nova projeção, o USDA elevou a estimativa de área plantada de 34,56 milhões para 35,13 milhões de hectares. A área prevista para colheita também aumentou, de 34,16 milhões para 34,72 milhões de hectares.

Por outro lado, a produtividade média foi revisada para baixo, passando de 35,64 para 35,44 quintais por hectare.

Com a produção recorde projetada para os Estados Unidos, o mercado passa a acompanhar a evolução das lavouras e, principalmente, o ritmo das compras chinesas para avaliar os próximos movimentos dos preços em Chicago.

Trigo

O contrato futuro do trigo com vencimento em setembro encerrou a sessão com alta de 3,32% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 6,69 por bushel.

O movimento de alta acompanhou a tendência observada durante a sessão noturna e foi impulsionado pela reação do mercado aos ataques da Ucrânia ao porto de Novorossiysk, um dos principais pontos de embarque de grãos da Rússia pelo Mar Negro.

A ação militar foi confirmada pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Os ataques provocaram o fechamento dos três principais terminais do complexo portuário de Novorossiysk, NKHP, NZT e KSK, que, juntos, respondem por aproximadamente 40% das exportações russas de grãos.

Segundo Andrey Sizov, CEO da consultoria SovEcon, o terminal NKHP sofreu os danos mais graves, incluindo o colapso de uma das principais galerias utilizadas para o carregamento de navios.

O executivo classificou os danos como graves e afirmou que os reparos podem levar meses. O terminal NKHP informa capacidade anual de movimentação de 7,1 milhões de toneladas de grãos.

Diante dos possíveis impactos sobre a logística de embarques russos, o mercado passou a incorporar maior risco de interrupções no fluxo de trigo e outros grãos pelo Mar Negro, dando suporte aos preços negociados em Chicago.