Milho sobe quase 3% em Chicago com atraso na colheita nos EUA

Mercado também acompanha inspeções semanais e expectativa por novas compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos pela China

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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O avanço das inspeções semanais e os atrasos provocados pelas chuvas na colheita ajudaram a impulsionar os preços do milho nesta segunda-feira (21) na Bolsa de Chicago. O contrato para entrega em dezembro subiu 2,94% e fechou negociado a US$ 5,43 por bushel.

Segundo a Agrinvest, as inspeções de milho para exportação nos Estados Unidos somaram 1,94 milhão de toneladas na última semana, acima das 1,55 milhão de toneladas registradas na semana anterior. O mercado também acompanha a possibilidade de novas compras de produtos agrícolas norte-americanos pela China, especialmente diante do encontro previsto entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.

As condições climáticas também entraram no radar dos investidores, em que as chuvas fortes dos últimos dias têm atrasado os trabalhos de campo em algumas áreas produtoras dos Estados Unidos, enquanto as previsões ainda indicam volumes significativos de precipitação para os próximos dias. Além de dificultar a colheita, o excesso de umidade pode complicar o transporte e a logística da safra.

De acordo com a Granar, a alta interrompeu uma sequência de três pregões de perdas e também foi influenciada por relatos de rendimentos abaixo do esperado em algumas regiões do cinturão produtor de milho e soja. O mercado ainda especula sobre possíveis anúncios favoráveis ao milho no encontro entre Trump e Xi, marcado para quinta-feira.

Soja

Os contratos futuros da soja encerraram em forte alta na Bolsa de Chicago, com o mercado de olho no encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, previsto para esta semana. O vencimento para novembro avançou 1,88% e fechou negociado a US$ 13,28 por bushel.

Segundo a Agrinvest, a valorização se estendeu por todo o complexo da soja. O farelo subiu cerca de 3%, enquanto o óleo também operou no campo positivo, mesmo diante da queda do petróleo. O movimento foi impulsionado principalmente pela expectativa de novos avanços nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, com o setor agrícola novamente entre os temas acompanhados pelo mercado.

O contrato para dezembro do farelo de soja avançou US$ 10,03 e fechou a US$ 405,32 por tonelada. O farelo vem ganhando espaço na formulação de rações para animais em meio à menor oferta de trigo e ao aumento da demanda internacional.

De acordo com a Granar, os investidores aguardam sinais de novas compras de soja norte-americana pela China antes da reunião entre Trump e Xi. Entre as possibilidades consideradas pelo mercado está uma eventual redução da tarifa de 10% aplicada às importações chinesas de matérias-primas agrícolas dos Estados Unidos.

Trigo

Os contratos futuros do trigo encerraram o pregão em alta na bolsa de Chicago, interrompendo uma sequência de três semanas de perdas. O vencimento para dezembro avançou 1,75% e fechou negociado a US$ 7,26 por bushel.

Segundo a Agrinvest, a valorização do trigo teve suporte adicional dos riscos relacionados ao conflito na região do Mar Negro, enquanto os contratos negociados na Euronext também operaram em alta.

De acordo com a Granar, o mercado reagiu às hostilidades em curso na região e aos novos ataques entre Rússia e Ucrânia. A movimentação ocorre após um ataque ucraniano contra a região de Moscou, descrito por veículos de comunicação como um dos maiores registrados recentemente.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou em publicação na rede social X que os ataques de longo alcance atingiram uma instalação da indústria petrolífera russa e uma estrutura logística. As tensões na região são acompanhadas pelo mercado de grãos devido aos possíveis impactos sobre a produção, o armazenamento e o fluxo de exportações pelo Mar Negro.