Nutrien quadriplica lucro líquido no quarto trimestre
Fabricante de fertilizantes alienou 50% da produtora argentina e encerrou produção em unidade dos EUA para simplificar portfólio

A Nutrien, fabricante canadense de fertilizantes, registrou lucro líquido de US$ 580 milhões no quarto trimestre de 2025, resultado quase quatro vezes superior aos US$ 118 milhões apurados no mesmo período de 2024.
No consolidado de 2025, a companhia alcançou lucro líquido de US$ 2,2 bilhões, alta de 228% em relação ao ano anterior.
A receita líquida no quarto trimestre somou US$ 5,3 bilhões, avanço de 5% na comparação anual. No acumulado do ano, a receita com vendas cresceu 4%, alcançando US$ 26,8 bilhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de US$ 1,2 bilhão entre outubro e dezembro, aumento de 21% na comparação interanual. No ano, o Ebitda ajustado totalizou US$ 6,04 bilhões, crescimento de 13%.
Segundo o presidente e CEO da Nutrien, Ken Seitz, o resultado refletiu fundamentos do mercado de potássio, melhora no perfil de margens em nitrogênio e maiores ganhos no varejo.
Desinvestimento
A empresa informou ainda que segue com medidas de simplificação de portfólio e foco em ativos principais. Desde o início dessas ações, no quarto trimestre de 2024, foram gerados aproximadamente US$ 900 milhões em receitas brutas.
Em dezembro, a Nutrien concluiu a venda de 50% de participação na produtora argentina de nitrogênio Profertil por aproximadamente US$ 600 milhões.
Além disso, a companhia encerrou, no fim de 2025, a produção na unidade de modernização de nitrogênio em New Madrid e avalia alternativas para sua unidade de nitrogênio em Trinidad. As duas plantas responderam por cerca de 1,6 milhão de toneladas em volumes de vendas de nitrogênio em 2025, com contribuição marginal ao fluxo de caixa livre, segundo a empresa.
A companhia também informou que está avançando na revisão de alternativas estratégicas para o negócio de fosfato, com definição prevista para 2026.
Ao longo de 2025, a companhia recomprou cerca de 2% de suas ações em circulação, totalizando US$ 551 milhões. O conselho de administração aprovou aumento de 1% no dividendo trimestral, para US$ 0,55 por ação, e autorizou a recompra de até 5% das ações ordinárias em circulação em um período de doze meses, por meio de uma oferta pública de recompra no curso normal dos negócios (NCIB), sujeita à aprovação da Bolsa de Valores de Toronto.
Projeções para 2026
No cenário agrícola, a Nutrien aponta que a maior produção global de grãos e oleaginosas em 2025 elevou a relação estoque/consumo para níveis próximos à média histórica e ampliou a remoção de nutrientes do solo. A expectativa é de que a demanda por alimentos, ração e biocombustíveis continue sustentando a necessidade de maior produção agrícola e de insumos.
No Brasil, a empresa projeta novo recorde na produção de soja em 2026 e aumento entre 3% e 5% na área plantada de milho safrinha. Apesar do crescimento da área, a companhia prevê compras mais próximas ao período de aplicação e migração para produtos de nitrogênio e fosfato de menor concentração, em razão de menor acessibilidade.
No mercado de potássio, os embarques globais somaram cerca de 74,5 milhões de toneladas em 2025. Para 2026, a expectativa é de volumes entre 74 milhões e 77 milhões de toneladas, com demanda sustentada por reposição de nutrientes do solo, preços relativos e baixos estoques em mercados como China e Brasil.
A empresa projeta crescimento da demanda global por nitrogênio em linha com médias históricas, impulsionada por mercados da Ásia e da América Latina. Já o mercado de fosfato recuou no quarto trimestre de 2025, mas apresentou recuperação no primeiro trimestre de 2026, diante de restrições às exportações chinesas e custos elevados de insumos.
Para 2026, a Nutrien estima Ebitda ajustado do varejo entre US$ 1,75 bilhão e US$ 1,95 bilhão. A projeção considera crescimento nas margens de produtos proprietários, aumento nos volumes de vendas de nutrientes na América do Norte, melhores condições climáticas na Austrália e iniciativas de redução de custos.
A estimativa de vendas de potássio varia entre 14,1 milhões e 14,8 milhões de toneladas. Para nitrogênio, a previsão é de 9,2 milhões a 9,7 milhões de toneladas, já sem a produção das unidades de Trinidad e New Madrid. No caso do fosfato, a expectativa é de vendas entre 2,4 milhões e 2,6 milhões de toneladas.
Os investimentos de capital previstos para o ano somam entre US$ 2 bilhões e US$ 2,1 bilhões, nível semelhante ao de 2025, incluindo cerca de US$ 400 milhões destinados a produtos proprietários, otimização de rede e capacidades digitais no varejo, expansões em nitrogênio e automação de minas de potássio.


