Óleo de soja segue como matéria-prima dominante no Brasil, avalia Argus

Preço do óleo de soja deve manter tendência de alta por demanda global de biocombustíveis e, no Brasil, necessidade doméstica vai impulsionar a sojicultura

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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Dentro do complexo soja, o derivado óleo deverá manter a predominância das negociações na América Latina, em especial no Brasil, como principal matéria-prima em 2026. A avaliação é da consultoria Argus, que, durante um workshop sobre soja em São Paulo, nesta quarta-feira (6), estimou uma participação de mercado de 70% do produto em 2026.

Outro fator que impulsionará o derivado é o crescimento das misturas de biocombustíveis, que pode refletir em um aumento de produção de soja no país. A consultoria também estima que o esmagamento de soja vai aumentar por causa da demanda do biodiesel à base do grão, com mais ofertas de farelo.

De acordo com a Argus, é uma previsão de redução do uso para 70% com a entrada de gorduras animais, que atuam como complemento na diversificação de matérias-primas, o que abre espeço para os óleos vegetais.

Além disso, o mercado de biodiesel segue dependente do óleo de soja, apesar da competição com outras matérias-primas que surgem como opções para produção de biodiesel. O preço estava por volta R$ 2,5 mil em 2017 (sem correção da inflação), saltando para quase R$ 6 mil atualmente, no Porto de Paranaguá (PR). Houve um pico no início da guerra entra Rússia e Ucrânia, mas com o tempo o setor se ajustou, detalhou a consultoria. O insumo se valorizou nos últimos anos, em vista da maior necessidade para o mercado debiodiesel no Brasil.

A guerra no Oriente Médio evidenciou a necessidade de repensar as negociações da cadeia de soja, como interfere em decisões estratégicas de abastecimento de mercado interno e exportações. O óleo de soja é uma matéria-prima para o biodiesel e, com o conflito bélico, os preços dispararam nas bolsas internacionais, puxando também a precificação do grão, como explica a analista da Argus, Nathalia Giannetti.

Entre os fundamentos de mercado que irão determinar a precificação dos óleos e a dominação desta matéria-prima, além da guerra, são os mandatos regulatórios de biocombustíveis. É o caso de Indonésia e Malásia, que puxam a demanda para o mercado de óleo de palma, por exemplo, um "grande driver dos óleos vegetais", analisa a Argus.

Por outro lado, Estados Unidos estão priorizando o consumo doméstico dos óleos devido a níveis recordes de mistura de biocombustíveis, o que sustenta a alta demanda norte-americana por esse tipo de matéria-prima.

No território americano, inclusive, outro óleo vegetal que ganha destaque é o de canola, que começaou a competir nos pools de outras matérias-primas em razão da mudança regulatória nos EUA e começa a tomar cada vez mais fatias de mercado, detalhou a Argus.

Precificação do óleo de soja

A alta recente nos preços da soja tem exposto um descompasso importante dentro da cadeia de processamento da oleaginosa, aponta Thaís Sousa, gerente de desenvolvimento de negócios na Argus. Enquanto o custo do grão avançou de forma mais consistente ao longo dos últimos meses, as cotações do farelo e do óleo — principais derivados — só passaram a reagir com mais força a partir de fevereiro deste ano.

"Esse desalinhamento pressiona as margens da indústria, que precisa equilibrar a equação entre matéria-prima e produtos finais", afirmou Sousa.

Na prática, o movimento levanta uma questão central para o setor: quem, de fato, absorve o custo mais elevado do grão? A resposta passa pela dinâmica entre farelo e óleo, cujos preços e demandas determinam a rentabilidade do esmagamento, segundo a Argus.

Com isso, a tendência é de que a indústria ajuste suas estratégias de comercialização e processamento, buscando recompor margens e manter a atratividade do negócio em meio a variáveis que seguem em constante mudança.