Picanha e alcatra: Preços caem e oferta maior pode ampliar recuo, diz Apas

Mudanças nas regras de importações chinesas e no comércio global podem reforçar cenário de queda ao longo do segundo semestre

Beatriz Oliveira, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Os consumidores já começam a encontrar alguns cortes de carne bovina mais baratos nos supermercados paulistas. Dados do IPS (Índice de Preços dos Supermercados), elabadorado pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), mostram que, em junho, a alcatra registrou queda de 1,12%, seguida pela picanha, com baixa de 0,55%, filé mignon, -0,54%, e coxão duro, -0,49%.

Apesar da redução ainda estar concentrada em alguns cortes específicos, a expectativa do setor é de que esse movimento ganhe força nos próximos meses.

De acordo com cálculos da consultoria Safras & Mercado, baseado na evolução dos embarques com base nos dados oficiais da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), de janeiro até 30 de junho, o Brasil enviou 100,06% da proteína animal aos chineses, ou seja, ultrapassou a cota anual de exportação de carne bovina destinada ao mercado chinês.

Com isso, os embarques que excederem o limite passam a ser tributados, o que tende a reduzir temporariamente as exportações ao país asiático e aumentar a disponibilidade do produto no mercado interno até a renovação da cota, prevista para janeiro.

Para o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, as mudanças nas regras de importações chinesas e no comércio global podem reforçar esse cenário ao longo do segundo semestre.

"A tendência é que haja uma oferta maior no mercado doméstico. Parte desse volume pode até ser direcionada para outros mercados, mas, diante do cenário internacional marcado pelo aumento do protecionismo e das dificuldades comerciais, inclusive com os Estados Unidos, a expectativa é que uma parcela significativa permaneça no Brasil. Em dois ou três meses, esse movimento deve começar a aparecer de forma mais evidente nos preços pagos pelo consumidor", disse ao CNN Agro.

Apesar desse cenário, de acordo com Queiroz, a desaceleração dos preços é resultado de uma combinação de fatores, que vai além da maior oferta de carne no mercado.

"Observamos queda em alguns cortes específicos, mas, de modo geral, o preço agregado das carnes tem aumentado em ritmo menor do que no passado. Isso decorre da combinação de alguns fatores. O primeiro é o aumento da oferta. O segundo está relacionado ao custo de produção, já que alguns insumos ficaram mais baratos diante da tendência de queda da taxa de câmbio", afirmou.

Queiroz ainda explicou que a melhora das pastagens reduziu os custos com alimentação bovina, fazendo com que alguns cortes subissem menos e outros já entrassem em trajetória de queda.