Plantio de soja cresce no Pará e no Tocantins, mas recua em Minas Gerais

Levantamento da Serasa Experian mostra avanço de 175 mil hectares nos dois estados enquanto Minas Gerais registra retração no cultivo da oleaginosa

Fernanda Pressinott, da CNN Brasil, São Paulo
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A área destinada ao plantio de soja aumentou no Pará e Tocantins na última safra, enquanto sofreu uma retração em Minas Gerais. A informação é da série Mapas Agro, criada pela Serasa Experian.

Em 2025/26, temporada que acabou oficialmente em 31 de junho, 175 mil hectares a mais foram semeados conjuntamente entre Pará e Tocantins, com um total de 3 milhões de hectares. Desse total, 1,7 milhão ficaram com o Tocantins. 

No ciclo atual, as áreas cresceram aproximadamente 4% e 8%, respectivamente.

A expansão é ainda mais expressiva quando observada em um horizonte mais longo. Nas últimas seis safras, a área plantada com soja aumentou 92,7% no Pará, com acréscimo de aproximadamente 620 mil hectares, e 44,4% no Tocantins, equivalente a cerca de 530 mil hectares adicionais.

No Pará, o município que mais ampliou a área de soja em números absolutos foi Cumaru do Norte, com 13 mil hectares adicionais. No Tocantins, o maior avanço municipal foi observado em Lagoa da Confusão, com 8,2 mil hectares.

Retração em Minas Gerais 

Em Minas Gerais, a área cultivada com soja atingiu  2,75 milhões de hectares na safra 2025/26. Apesar de o estado acumular expansão de 23,2% nas últimas seis safras, equivalente a cerca de 520 mil hectares, os dois ciclos mais recentes apresentam movimento de retração. Em relação à safra 2023/24, a redução acumulada da área chega a aproximadamente 5%, aponta a Serasa.

Mesmo diante da redução no consolidado estadual, alguns municípios ampliaram o cultivo da oleaginosa. O maior aumento foi registrado em Unaí, com 4,3 mil hectares.

Milho ganha espaço

Também segundo o levantamento do Serasa, enquanto a área de soja recuou, o milho de primeira safra avançou em Minas Gerais. O estado registrou um incremento de aproximadamente 95 mil hectares na área plantada, chegando a cerca de 500 mil hectares na safra 2025/26. Entre os principais municípios produtores destacados pelo levantamento estão São João del-Rei, Buritis, Unaí, Coromandel e Paracatu.

Pará e Tocantins também ampliaram a área de milho de primeira safra. No Pará, o crescimento foi de aproximadamente 6%, enquanto no Tocantins a alta chegou a 35% em relação ao ciclo anterior. As áreas mapeadas na safra atual somam cerca de 32 mil hectares no Pará e 29 mil hectares no Tocantins.

"O acompanhamento territorial permite entender não apenas onde as culturas estão avançando, mas também como o uso agrícola do solo vem se reorganizando entre diferentes regiões. Esse tipo de informação ajuda empresas, instituições financeiras, cooperativas e demais agentes do setor a antecipar movimentos da safra, avaliar oportunidades e riscos e planejar com mais precisão suas estratégias de crédito, comercialização e logística”, afirma Sabrina Muñoz, gerente de inteligência de dados agro da Serasa Experian, em nota.

Análise socioambiental

O levantamento da Serasa Experian também identifica áreas cultivadas com soja localizadas em imóveis rurais com registros de supressão de vegetação considerados em um dos critérios socioambientais previstos no MCR - Manual de Crédito Rural.

Nos três estados analisados, essas áreas somam  211 mil hectares. O Tocantins concentra 113 mil hectares, equivalentes a 6,65% da área de soja do estado; o Pará reúne aproximadamente 70 mil hectares, ou 5,38%; e Minas Gerais contabiliza 28 mil hectares, correspondentes a 1,02%.

Segundo a Serasa, a presença desse indicador não caracteriza, isoladamente, irregularidade ambiental. O MCR estabelece a análise de supressões de vegetação ocorridas a partir de 31 de julho de 2019 como um dos critérios socioambientais considerados na concessão de crédito rural, com necessidade de comprovação da regularidade conforme a legislação aplicável.

O estudo também identificou áreas de soja em assentamentos rurais. Elas somam 88 mil hectares entre os três estados, sendo 57 mil hectares no Pará, 21 mil hectares em Minas Gerais e 10 mil hectares no Tocantins.